Em meio aos desafios impostos pelos incêndios florestais no Amazonas, os brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), desempenham um papel fundamental na proteção da floresta amazônica. São profissionais capacitados que enfrentam condições adversas, altas temperaturas, fumaça intensa e dificuldades de acesso para controlar e extinguir incêndios em diferentes regiões do estado.
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Uma das características mais importantes do Programa de Brigadas Federais do Ibama é a participação das próprias comunidades na proteção dos territórios. As equipes são formadas também por indígenas e moradores de assentamentos da reforma agrária, que recebem treinamento especializado para atuar na prevenção e no combate aos incêndios florestais.
Além da preparação técnica, esses profissionais carregam um conhecimento valioso sobre a floresta, os caminhos, os rios, a vegetação e as características ambientais das regiões onde vivem. A combinação entre conhecimento tradicional, experiência territorial e técnicas modernas de combate fortalece a capacidade de resposta aos incêndios.
Como os brigadistas combatem os incêndios florestais?
O trabalho começa antes mesmo da chegada às chamas. As equipes avaliam as condições do terreno, a direção e a intensidade dos ventos, o tipo de vegetação, a disponibilidade de água e os riscos envolvidos na operação. Essas informações orientam a definição das estratégias mais seguras e eficientes.
No combate direto, os brigadistas utilizam diferentes ferramentas e equipamentos, de acordo com as características e a intensidade do incêndio.
Entre os equipamentos estão os sopradores motorizados, que produzem jatos de ar em alta velocidade. Eles são especialmente úteis no combate a incêndios de baixa intensidade, permitindo afastar as chamas e os materiais em combustão da vegetação ainda não atingida, além de auxiliar na limpeza de linhas de controle. Seu uso exige avaliação técnica, pois o fluxo de ar pode intensificar ou espalhar o fogo em determinadas condições.
Outro instrumento importante é o abafador, ferramenta utilizada para interromper o contato das chamas com o oxigênio, principalmente em incêndios rasteiros. Já as bombas costais permitem transportar água até locais de difícil acesso, possibilitando o resfriamento de materiais em combustão e a extinção de pequenos focos.
As equipes também utilizam enxadas, pás, rastelos e outras ferramentas manuais para remover folhas secas, galhos e materiais combustíveis, construindo os chamados aceiros ou linhas de controle, faixas destinadas a dificultar ou interromper o avanço do fogo.
Dependendo das condições do incêndio, os brigadistas podem realizar ataques diretos às chamas ou empregar estratégias indiretas, estabelecendo linhas de defesa em locais mais seguros. As operações também incluem o rescaldo, etapa essencial para eliminar pontos quentes e reduzir o risco de reignição.
Indígenas e assentados na linha de frente da proteção ambiental
A participação de indígenas e moradores de assentamentos representa uma das dimensões sociais mais importantes do trabalho desenvolvido pelo Prevfogo.
Ao contratar e capacitar moradores dos próprios territórios, o Ibama fortalece o protagonismo das comunidades na proteção ambiental e valoriza conhecimentos construídos ao longo de gerações.
Essa atuação é especialmente relevante nas terras indígenas e nos projetos de assentamento da reforma agrária, onde a presença de brigadistas locais contribui para identificar riscos, orientar moradores, realizar ações preventivas e responder mais rapidamente às ocorrências.
O trabalho também integra a política de Manejo Integrado do Fogo, que reúne planejamento, monitoramento, educação ambiental, prevenção e combate, considerando as características ecológicas e sociais de cada território.
Operações no Amazonas contam com apoio terrestre, fluvial e aéreo

No Amazonas, as operações coordenadas pelo Prevfogo/Ibama contam com o apoio de veículos, embarcações e aeronaves, especialmente em áreas remotas, onde o deslocamento terrestre pode ser limitado.
O apoio aéreo contribui para o reconhecimento das áreas atingidas, o transporte de equipes e equipamentos e o lançamento de água em pontos estratégicos. Entretanto, a atuação dos brigadistas em solo continua sendo indispensável para conter o avanço das chamas, estabelecer linhas de controle e realizar o rescaldo.
Conforme o Boletim Diário de Acompanhamento nº 005-AM, de 14 de outubro de 2026, as operações do Prevfogo/Ibama mobilizavam 238 profissionais em duas frentes principais: Operação Sul do Amazonas, com 104 profissionais, e Operação Amazonas, com 134. Outros 92 profissionais do ICMBio integravam a mobilização federal de prevenção e combate, totalizando 330 profissionais.
As ações alcançam municípios do sul do estado e da região de influência de Manaus, com prioridade para áreas ambientalmente sensíveis e territórios ameaçados pelo avanço dos incêndios.
Proteger a floresta é também valorizar quem vive nela
Mais do que combater incêndios, os brigadistas do Prevfogo representam uma política pública que aproxima a proteção ambiental das populações amazônicas.
São homens e mulheres que conhecem os territórios, enfrentam jornadas exigentes e colocam sua experiência e capacitação a serviço da conservação da natureza.
A atuação dessas equipes demonstra que o enfrentamento dos incêndios florestais exige investimentos em equipamentos, capacitação, logística, monitoramento e, sobretudo, valorização dos profissionais que estão na linha de frente.
Na Amazônia, proteger a floresta significa também reconhecer e fortalecer o papel de seus próprios habitantes. Indígenas, assentados e demais brigadistas do Prevfogo são protagonistas desse esforço coletivo pela proteção da biodiversidade, das comunidades e do patrimônio ambiental brasileiro.
Fonte: ASCOM/IBAMA
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