O Governo do Amazonas estruturou um Grupo de Trabalho para implementar o Plano de Bioeconomia Estadual, que estabelece diretrizes para promover o desenvolvimento sustentável no Estado. A iniciativa reúne mais de 35 instituições, organizações, coletivos e pesquisadores e tem entre os objetivos fortalecer áreas como ciência, tecnologia e inovação, empreendedorismo e sustentabilidade ambiental.
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Entre os especialistas que integram o grupo estão os economistas Michele Aracaty e Lucas Rezende, representantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eles destacam que a implementação do plano pode ajudar a criar novas oportunidades de renda, fortalecer atividades econômicas do interior e aproximar a produção baseada na biodiversidade amazônica do mercado.
Michele Aracaty, economista e pós-doutora em Desenvolvimento Regional, explica que os profissionais da área podem contribuir para a criação de modelos de financiamento e investimentos voltados às comunidades tradicionais e pequenos produtores. Entre as possibilidades estão novas linhas de crédito e incentivos para indústrias que utilizem matérias-primas de origem florestal em substituição a materiais fósseis ou importados.
“Há pontos relevantes que, enquanto economista, poderei contribuir. Na área de financiamentos e investimentos, a proposta é criar novas linhas de crédito adaptadas para comunidades tradicionais e pequenos produtores, bem como propor incentivos fiscais para indústrias que utilizam insumos de origem florestal no lugar de materiais fósseis ou importados. Com o desenvolvimento dessas propostas, estaremos desenvolvendo além da matriz econômica, alcançando também o desenvolvimento social dos amazonenses”, destacou.
Atuação dos economistas
O Plano de Bioeconomia Estadual está dividido em cinco eixos prioritários: Governança; Pessoas e Cultura; Descarbonização e Energias Renováveis; Ecossistemas de Negócio; e Patrimônio Cultural e Genético.
Dentro desses eixos, os economistas poderão atuar na análise da viabilidade financeira, na criação de mecanismos para distribuição de recursos e no desenvolvimento de estratégias para tornar os produtos amazônicos mais competitivos.
A atuação também inclui a busca por formas de aproximar as cadeias produtivas da floresta das indústrias de alta tecnologia e do mercado nacional e internacional.
Segundo Michele Aracaty, os economistas também podem contribuir com ações voltadas à redução do uso de recursos que geram emissão de carbono, além de propostas de incentivos econômicos para atividades que valorizem a proteção ambiental, cultural e genética da região.
Para Lucas Rezende, a principal contribuição da área econômica será transformar as diretrizes do plano em medidas práticas, como incentivos e instrumentos financeiros. A ideia é priorizar atividades com maior potencial de geração de renda e criar mecanismos para atrair investimentos ao Amazonas.
“Resumidamente, esperamos contribuir para manter a floresta em pé e tornar isso uma escolha economicamente mais vantajosa. Depois da construção das diretrizes, o desafio passa a ser transformar o Plano em ações viáveis, definir prioridades e criar formas de monitorar os resultados ao longo do tempo”, afirmou.
Impacto para a população
Os economistas também destacam que a implementação do Plano de Bioeconomia pode contribuir para reduzir desigualdades sociais e econômicas no Amazonas, principalmente entre a capital e os municípios do interior.
Apesar da grande riqueza natural, muitos dos 61 municípios do interior ainda enfrentam dificuldades econômicas e sociais. Para os especialistas, um dos desafios será garantir que os benefícios da bioeconomia cheguem às comunidades e não fiquem concentrados apenas nas empresas ou nos grandes centros urbanos.
“Temos uma região rica em biodiversidade, mas apresentamos indicadores socioeconômicos semelhantes ao de países que não possuem um terço da nossa riqueza de recursos. A bioeconomia promove equidade social, desde que a aplicação dos recursos seja devidamente direcionada para o local certo: a sociedade”, afirmou Michele Aracaty.
Lucas Rezende também defende que as ações sejam voltadas diretamente às populações que vivem nos territórios onde os recursos naturais são encontrados.
“Também é papel da Economia contribuir para que a bioeconomia ajude a enfrentar uma das principais questões do Amazonas, que abrangem a desigualdade socioeconômica e territorial. Isso significa pensar instrumentos que não concentrem os benefícios apenas nos elos finais das cadeias produtivas ou nos centros urbanos, mas que fortaleçam quem está nos territórios, especialmente no interior do nosso estado”, ressaltou.
O que é bioeconomia?
A bioeconomia é um modelo de desenvolvimento que utiliza recursos naturais de forma sustentável, priorizando matérias-primas renováveis em vez de recursos fósseis e não renováveis. O modelo também utiliza ciência, tecnologia e inovação para desenvolver produtos e soluções em áreas como pesca, alimentos, cosméticos e indústria têxtil.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a bioeconomia movimenta cerca de 2 trilhões de euros no mercado mundial e gera aproximadamente 22 milhões de empregos.
No Brasil, dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o país possui a maior biodiversidade do mundo e que a bioeconomia movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Fonte: ASSESSORIA
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