Pular para o conteúdo principal

Amazônia Sem Fronteira

Notícias Corporativas

Metade das PMEs não se preparou para a reforma tributária

Pesquisa inédita da Omie revela que 50% das pequenas e médias empresas ainda não iniciaram qualquer planejamento para as novas regras do IBS e da CBS; especialistas alertam que o principal impacto será no fluxo de caixa e na precificação.

Metade das PMEs não se preparou para a reforma tributária
Metade das PMEs não se preparou para a reforma tributária

A maior reformulação do sistema tributário brasileiro sobre o consumo está em curso, mas a maioria do ecossistema empreendedor ainda não saiu do lugar. Dados inéditos gerados pela Omie, plataforma de gestão financeira, acendem um alerta: metade das micro, pequenas e médias empresas instaladas no país (50%) ainda não iniciou qualquer tipo de planejamento ou sequer compreende os efeitos práticos das novas regras em seus negócios.

O raio-X da preparação do mercado

O levantamento da Omie evidencia uma inércia operacional preocupante no ambiente de negócios. Enquanto o desenvolvimento regulatório sobre o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) avança, o ambiente interno das corporações permanece estático. Menos de um terço das PMEs declararam estar revisando seus processos internos, reavaliando a composição da carteira de fornecedores e recalculando as margens de preço de seus produtos e serviços.

Essa paralisia decorre, em grande medida, da percepção equivocada de que as mudanças afetarão apenas a escrituração contábil do negócio. A modificação tributária altera profundamente a dinâmica competitiva de toda a cadeia de valor. Fornecedores que antes geravam créditos fiscais vantajosos podem perder atratividade, exigindo uma reconfiguração completa das fontes de suprimento.

O impacto real está no fluxo de caixa

Para atravessar essa transição com segurança, as empresas precisam tratar a adaptação tributária como uma questão de gestão, e não apenas contábil. Uma consultoria em gestão financeira pode apoiar a revisão do fluxo de caixa, da formação de preços, das margens e dos indicadores necessários para decisões mais seguras durante a implementação das novas regras.

Um dos pontos mais críticos debatidos no estudo é a transferência do impacto fiscal para a saúde financeira imediata das empresas. Conforme reportagem da Forbes Brasil publicada em julho de 2026, a partir de 3 de agosto a emissão de documentos fiscais eletrônicos sem os campos da CBS e do IBS não será mais permitida para companhias do regime regular. Nesta fase inicial, será informada uma alíquota teste de 1%, formada por 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.

Segundo Jorge Motta, CFO da VBMC Consultores, a reforma tributária representa uma mudança estrutural que vai muito além da substituição de siglas. "O IVA Dual, composto pela CBS e pelo IBS, unifica tributos que antes eram fragmentados (PIS, Cofins e IPI na esfera federal, ICMS e ISS nos âmbitos estadual e municipal). Mas o verdadeiro impacto não está nos nomes dos impostos, e sim na dinâmica financeira do negócio", explica.

Motta alerta que a introdução do sistema de split payment, no qual o tributo é recolhido no momento exato do pagamento da transação, elimina o capital de giro temporário que as empresas usufruíam ao reter o imposto até o mês subsequente. "Quem não ajustar a precificação e o fluxo de caixa para essa nova realidade vai descobrir, na prática, que a reforma não é contábil: é financeira", conclui.

Cronograma da transição e riscos para quem não se preparar

O cronograma oficial, detalhado pela Forbes Brasil, impõe marcos objetivos às empresas:

  • Agosto de 2026: preenchimento obrigatório dos campos de IBS e CBS na nota fiscal eletrônica, com alíquota teste de 1%. Sem a parametrização correta, o sistema do Fisco trava a emissão.
  • Janeiro de 2027: PIS e Cofins deixam de existir e a CBS entra com alíquota cheia estimada entre 8,5% e 9%.
  • 2029 a 2032: fase de convivência entre os modelos novo e antigo, com redução gradual de ICMS e ISS.
  • Janeiro de 2033: fim da transição, com o país operando 100% no modelo CBS + IBS.

Em suma, os dados da Omie e as análises da Forbes convergem para um mesmo diagnóstico: o mercado ainda patina na conscientização sobre a reforma tributária, e a janela de oportunidade para a preparação está se fechando. Atrasos na revisão de processos internos, na reestruturação da política de preços e na modernização dos sistemas de gestão elevarão os custos de conformidade e exporão as empresas a riscos reais de liquidez. As organizações que optarem pela estruturação precoce de seus dados financeiros e fiscais estarão em posição competitiva para atravessar a transição com previsibilidade e segurança.

Mais Notícias