Em 8 de maio, reconhecido como Dia Mundial do Câncer de Ovário, autoridades de saúde reforçam a gravidade da doença, que permanece como o tumor ginecológico mais letal entre as mulheres brasileiras. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que cerca de 75% dos casos de câncer de ovário são diagnosticados em estágios avançados, reduzindo as opções terapêuticas e as taxas de sobrevida. Apenas um em cada quatro diagnósticos ocorre precocemente.
Ao contrário do câncer de mama, que conta com exames de rastreamento consolidados, o câncer de ovário ainda não dispõe de um teste único e eficaz para detecção precoce. Os sinais clínicos — como inchaço abdominal, dor pélvica ou alterações intestinais — são frequentemente inespecíficos e podem ser atribuídos a condições benignas, o que contribui para o atraso na investigação.
"Os sintomas são inespecíficos e costumam ser confundidos com questões comuns, o que atrasa a investigação", afirma Rachel Macedo, oncologista do Hospital Paulistano. Ela destaca que a predisposição genética, sobretudo mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, eleva consideravelmente o risco de desenvolvimento da doença. Outros fatores de risco reconhecidos incluem histórico familiar de câncer ginecológico ou de mama, idade avançada, obesidade e hábitos de vida.
"Mulheres com histórico familiar de câncer ginecológico ou de mama precisam de acompanhamento ainda mais rigoroso. A informação genética hoje é uma ferramenta importante na prevenção e no cuidado", complementa a especialista.
O relato de Elisabete Gutschow Pereira, paciente de 52 anos atendida no Hospital Paulistano, ilustra o percurso típico de diagnóstico e tratamento. A paciente procurou o serviço de saúde devido a fluxo menstrual intenso, sintoma inicialmente associado a mioma uterino. Durante a cirurgia recomendada para remoção do mioma, foi identificado um tumor maligno de ovário.
Após o diagnóstico, Elisabete iniciou quimioterapia e submeteu‑se a duas intervenções cirúrgicas, incluindo a retirada de órgãos afetados. "Comecei a quimioterapia rápido, junto com uma rotina intensa de exames. É um processo cansativo, física e emocionalmente, porque você vive em função da doença", relata. Ela atribui parte da superação ao apoio familiar, à confiança na equipe médica e à esperança de recuperação.
Atualmente, a paciente segue em acompanhamento oncológico regular, mantém atividades laborais e domésticas e enfatiza a importância de observar alterações corporais. "Agora é vida que segue. Trabalho, cuido da casa e, claro, sigo com acompanhamento médico. Tudo com muita gratidão", completa.
Rachel Macedo também recomenda que mulheres, sobretudo aquelas com fatores de risco genéticos ou histórico familiar, procurem avaliação médica ao perceber sintomas persistentes. Embora não exista um exame de rastreamento universal, a combinação de exames de imagem, marcadores tumorais e avaliação genética pode melhorar a detecção precoce e, consequentemente, as perspectivas de tratamento.





