Com 8,9 mil quilômetros quadrados, equivalente a um Distrito Federal e meio, Porto Rico é um território dos Estados Unidos no Caribe, lar de cerca de 3,2 milhões de habitantes onde predomina o espanhol e a cultura latino-americana. Oficialmente designado como Estado Livre Associado, o território possui status político ambíguo, permitindo aos porto-riquenhos livre trânsito nos EUA e a eleição de governador local, mas sem direito a voto para presidente americano ou representação com voto no Congresso dos Estados Unidos.
Apesar disso, os habitantes estão sujeitos às leis federais americanas, servem nas Forças Armadas dos EUA e a ilha abriga bases militares de Washington, sem participação em relações internacionais. Essa configuração leva especialistas e movimentos políticos a considerarem Porto Rico uma colônia de fato, e não um estado associado. Para as Nações Unidas, a autonomia administrativa impede sua classificação como colônia clássica, mas um comitê da ONU o vê como um caso de situação colonial.
O professor de relações internacionais Gustavo Menon, da Universidade Católica de Brasília, explica que, apesar de mecanismos de governo autônomo, a ilha permanece subordinada às decisões de Washington sem todos os direitos plenos. Ele descreve a situação como um resquício neocolonial no século 21, e para a elite política americana, Porto Rico é um protetorado.
Em 9 de fevereiro, Bad Bunny, cantor porto-riquenho e crítico da política anti-imigração de Donald Trump, realizou o show do intervalo do Super Bowl em São Francisco, pela primeira vez inteiramente em espanhol. A apresentação enalteceu as culturas latino-americanas, com o artista usando o slogan ‘Deus abençoe a América’ para estender a bênção a países latinos, enquanto bandeiras de nações americanas tremulavam ao lado da dos EUA.
O ato irritou Trump, que o chamou de ‘absolutamente terrível’ em rede social, criticando a incompreensibilidade e a dança. Bad Bunny, conhecido por defender a cultura latina de Porto Rico e denunciar a influência dos EUA, incluiu em sua canção uma referência ao Havaí, alertando contra a perda de identidade indígena ao se tornar estado americano: ‘Eles querem tirar meu rio e minha praia também. […] Porque eu não quero que façam com vocês o que aconteceu com o Havaí’.
Historicamente, Porto Rico foi colônia espanhola até a Guerra Hispano-Americana de 1898, quando passou para o controle dos EUA junto com Cuba e Filipinas. Em 1917, os porto-riquenhos tornaram-se cidadãos americanos, e em 1952, o território ganhou autonomia administrativa como Estado Livre Associado. Menon avalia que Bad Bunny exerce soft power, associando Porto Rico às nações latino-americanas e incomodando o governo Trump.
A ONU não lista Porto Rico como Território Não Autônomo desde 1952, reconhecendo 17 colônias em outros lugares, como Bermuda e as Malvinas. No entanto, o Comitê Especial sobre Descolonização, em relatório de março de 2025 do relator Koussay Aldahhak, afirma que a dominação colonial persiste via subordinação à Constituição dos EUA, com o Congresso americano detendo poderes plenos em defesa, relações internacionais e mais, limitando a autoridade local.
Desde 1967, Porto Rico realizou sete referendos consultivos sobre seu status. No de 2024, 58% optaram por se tornar estado dos EUA, 29% por livre associação e 11% pela independência. Em 2020, 52% favoráveis à anexação como estado contra 47% contrários. Esses plebiscitos não são vinculantes, questionados por baixa participação e formulação das perguntas, sem efeito prático no Congresso americano.
Com informações da Agência Brasil
Fonte: Jornal de Brasília





