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Oscilações climáticas elevam risco de doenças respiratórias

Oscilações de temperatura, chuvas intensas e variações de umidade, intensificadas por fenômenos como o El Niño, têm aumentado a incidência de doenças respiratórias, alérgicas, dermatológicas e infecciosas no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as mudanças climáticas como um dos maiores desafios à saúde global.

Oscilações climáticas elevam risco de doenças respiratórias
Oscilações climáticas elevam risco de doenças respiratórias

Oscilações climáticas intensificadas por fenômenos como o El Niño têm alterado padrões de temperatura, umidade e precipitação, criando condições que favorecem o aumento de doenças respiratórias, alérgicas, dermatológicas e infecciosas no Brasil. Segundo dados de serviços de saúde, os períodos de frio intenso, alta umidade e ar seco são acompanhados por maior número de atendimentos por rinite, asma e infecções virais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as mudanças climáticas como um dos principais desafios à saúde global no século XXI, indicando que elas modificam a distribuição de doenças já conhecidas e podem gerar novos riscos para a população.

Juliana Bittencourt Bromatti de Araújo, imunologista e alergista do Hospital Metropolitano Lapa, destaca que o impacto do clima vai além da simples queda de temperatura. "As pessoas costumam associar esse período apenas ao frio, mas o que realmente influencia a saúde é a combinação de fatores como mudanças bruscas de temperatura, aumento da umidade em alguns dias e períodos prolongados secos. Essas condições afetam as vias respiratórias, favorecem a circulação de vírus e intensificam doenças alérgicas e inflamatórias", afirma.

Durante os meses mais frios, a permanência em ambientes fechados e pouco ventilados facilita a transmissão de vírus respiratórios. O aumento da umidade favorece a proliferação de mofo e fungos em residências e escritórios, enquanto o ar seco resseca as mucosas, eleva a concentração de partículas irritantes e potencializa a irritação das vias aéreas.

Essas alterações ambientais contribuem para o aumento de crises de rinite alérgica, caracterizadas por espirros, coriza, obstrução nasal e irritação ocular, bem como para a piora da asma, doença crônica que pode provocar tosse persistente, chiado, falta de ar e sensação de aperto torácico. "É comum que pacientes relatem piora dos sintomas justamente nas épocas em que o clima oscila mais. A rinite e a asma são doenças inflamatórias que respondem rapidamente às alterações ambientais, principalmente quando há exposição simultânea ao frio, ao ar seco e aos alérgenos presentes dentro dos ambientes", explica a especialista.

A semelhança entre sintomas alérgicos e de infecções respiratórias dificulta o diagnóstico por parte da população. "Uma característica importante é que as alergias, em geral, não causam febre. Quando a febre está presente, especialmente acompanhada de tosse intensa, mal‑estar ou dificuldade para respirar, é fundamental procurar avaliação médica para afastar infecções que podem exigir tratamento específico", orienta Juliana.

Apesar dos desafios impostos pelas oscilações climáticas, medidas preventivas podem reduzir significativamente o risco de complicações. A vacinação contra influenza continua sendo uma das principais estratégias para prevenir casos graves e hospitalizações. Manter os ambientes ventilados, controlar a umidade interna, eliminar focos de mofo, garantir hidratação adequada e evitar exposições prolongadas a mudanças bruscas de temperatura são recomendações adotadas pelos serviços de saúde para minimizar os impactos na população.

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