O avanço do período de cheia no Amazonas acende o alerta para a fragilidade da infraestrutura sanitária dos municípios do interior. A rápida subida dos rios afeta o abastecimento das cidades, com risco de contaminação da água consumida por populações ribeirinhas e indígenas. Conforme balanço da Defesa Civil do estado, 16 municípios já se encontram em situação de emergência, com milhares de famílias começando a sentir os efeitos do isolamento.
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Especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública, o engenheiro civil Marcellus Campêlo avalia que o agravamento das cheias, com a crise climática, exige soluções permanentes e tecnologias adaptadas à realidade amazônica. Por mais de sete anos à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), ele defende a ampliação de políticas públicas voltadas à segurança hídrica e ao saneamento nos municípios do Amazonas.
“Precisamos avançar em projetos sustentáveis de abastecimento de água, drenagem, tratamento de esgoto e monitoramento dos rios. A realidade da Amazônia exige soluções específicas para comunidades isoladas e municípios afetados pelas enchentes todos os anos”, afirma Marcellus Campêlo, que se desincompatibilizou da Sedurb e da UGPE em março deste ano, colocando o nome à disposição da Federação União Progressista, como pré-candidato a deputado estadual.
Uma das iniciativas desenvolvidas no âmbito da Sedurb foi a criação da Microrregião de Saneamento Básico (MRSB), instituída por lei em janeiro de 2025. O modelo permite a gestão compartilhada do saneamento entre estado e municípios do interior, ampliando assim a capacidade de trabalho e de atração de investimentos para que possam alcançar a meta de universalização dos serviços de água e esgoto.
Parte da estrutura de apoio aos municípios na área de saneamento foi fortalecida pela Sedurb e UGPE, com ampliação das redes em Manaus e no interior. Em Manaus, com o Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+). No interior, com o Programa de Saneamento Integrado (Prosai), executado em Maués e em andamento em Parintins, cidades historicamente afetadas pelas grandes cheias.
Em Maués, o Prosai ampliou em 50% a cobertura de esgotamento sanitário e elevou a capacidade de armazenamento de água de 227 mil litros para 1,7 milhão de litros, passando a atender toda a população urbana. Já em Parintins, o programa, que iniciou em 2024, já solucionou o problema de contaminação dos poços que abasteciam o município e iniciou a implantação da rede de esgoto, com previsão de elevar a cobertura do serviço de zero para 25%.
Para Marcellus Campêlo, experiências como as de Maués e Parintins mostram que o Amazonas precisa transformar o saneamento em uma política permanente de estado, principalmente nos municípios mais afetados pelas cheias. “O desafio do saneamento no interior não passa apenas pela execução de obras, mas pela criação de projetos permanentes, capazes de integrar abastecimento de água, drenagem urbana, tratamento de esgoto, monitoramento dos rios e planejamento das cidades”, enumera.
Segundo ele, a Amazônia exige soluções diferentes das adotadas nos grandes centros urbanos do país, com tecnologias adaptadas à realidade ribeirinha e maior integração entre engenharia, gestão ambiental e adaptação climática. “Quando levamos água tratada e esgotamento sanitário para uma comunidade, reduzimos doenças, melhoramos a qualidade de vida e criamos condições para o desenvolvimento local”, pontua.
Outras soluções
Dentro das soluções defendidas para melhorar a destinação de resíduos sólidos, Marcellus Campêlo destaca o projeto Amazonas EcoLar, do Governo do Estado. O projeto piloto utilizará resíduos plásticos reciclados, como garrafas PET, na construção de 16 unidades habitacionais no bairro Petrópolis, zona sul de Manaus. As obras de infraestrutura serão executadas pela UGPE, enquanto a montagem das casas ficará sob responsabilidade da Defesa Civil.
Outra iniciativa apontada por ele é a ampliação do Programa Água Boa, desenvolvido pela Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), órgão também vinculado à Sedurb, em parceria com a Defesa Civil. O projeto instala filtros simplificados de tratamento de água adaptados às realidades locais, capazes de transformar recursos captados de rios, lagos e igarapés em consumo seguro para populações isoladas.
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Dados da Cosama e da Defesa Civil apontam que mais de 800 desses sistemas já foram implantadas em 55 municípios, incluindo comunidades de difícil acesso, beneficiando mais de 270 mil pessoas. Com aportes superiores a R$ 2,3 milhões, as ações também incluem distribuição de caixas d’água, filtros domésticos e kits purificadores enviados de forma emergencial às cidades atingidas pelas cheias.
“O Água Boa mostrou que é possível levar água tratada para comunidades distantes com soluções adaptadas à realidade de cada região. Agora, o desafio é avançar ainda mais, ampliando o saneamento nos municípios, fortalecendo as prefeituras e integrando infraestrutura, saúde pública e adaptação climática”, ressalta.
No período de 2019 a 2026, Sedurb e UGPE realizaram mais de 400 obras no estado, gerando mais de 200 mil empregos diretos e indiretos e beneficiando milhares de famílias.
Fonte: ASSESSORIA
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