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Drones ampliam o olhar dos municípios contra a dengue

Mapeamento aéreo com drones amplia a visão sobre o território, apoia o trabalho das equipes de endemia e contribui para ações de prevenção mais rápidas e assertivas.

Drones ampliam o olhar dos municípios contra a dengue
Drones ampliam o olhar dos municípios contra a dengue

Um dos pontos fundamentais para o combate à dengue é a realização constante de ações de vigilância e prevenção. Esse trabalho envolve o monitoramento do território, a identificação e eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti e a orientação da população, entre outras atividades. Em municípios com milhares de imóveis, áreas extensas e diferentes características urbanas, manter esse acompanhamento de forma contínua e abrangente é um desafio para as equipes responsáveis pelas ações de controle das arboviroses.

É nesse cenário que os drones passam a atuar como uma ferramenta de apoio ao monitoramento dos municípios. Um exemplo são programas que utilizam drones, geotecnologias e análise de dados para apoiar o trabalho de prevenção e controle das arboviroses. A partir de uma visão aérea de grandes áreas, os equipamentos permitem observar o território por uma nova perspectiva, contribuindo para ampliar o alcance do monitoramento e tornar a identificação de possíveis criadouros mais rápida e assertiva.

Um olhar diferente sobre o território

O uso de drones no combate à dengue vai além de sobrevoar uma área. Durante o mapeamento, os equipamentos percorrem o território e registram imagens de alta resolução dos imóveis e de seus arredores. Essas imagens são analisadas com o apoio de geotecnologias e dados georreferenciados, permitindo localizar e registrar pontos que apresentam características associadas a possíveis criadouros do Aedes aegypti.

Na prática, o mapeamento pode ajudar a identificar piscinas, acúmulo de lixo e entulho, materiais expostos e outras situações que podem favorecer a proliferação do mosquito. Cada ponto identificado é associado à sua localização no território, gerando informações que podem ser utilizadas pelas equipes para planejar as visitas e direcionar as ações de campo.

A partir desse mapeamento, os gestores passam a ter uma visão mais ampla e atualizada do território, com informações que ajudam a organizar as ações de forma mais estratégica. O cruzamento entre as imagens e os dados georreferenciados permite localizar os pontos identificados e facilitar a definição das áreas que devem ser priorizadas pelas equipes de endemias.

Identificando novos riscos

Embora o objetivo principal do mapeamento seja apoiar as ações de prevenção e controle das arboviroses, o olhar ampliado sobre o território também pode revelar outras situações que podem ser relevantes para a gestão municipal.

Áreas com grande quantidade de lixo e entulho, por exemplo, podem apresentar condições favoráveis à formação de possíveis criadouros e também servir de abrigo para animais peçonhentos. A partir das imagens, outras situações relacionadas à ocupação e à conservação dos imóveis também podem ser identificadas, gerando informações que podem apoiar diferentes áreas da gestão municipal.

Isso mostra que, embora o combate à dengue seja o principal objetivo do mapeamento, as informações geradas podem contribuir também para outras frentes da gestão municipal. O mais importante, porém, é que esses dados sejam utilizados para compreender melhor o território e apoiar as equipes na definição das prioridades e no planejamento das ações.

Da imagem à ação

Identificar uma situação de risco é apenas o primeiro passo. Para que o mapeamento tenha impacto no trabalho das equipes, as informações precisam ser organizadas, analisadas e transformadas em direcionamentos para as ações.

Com os dados georreferenciados, os gestores conseguem visualizar onde estão os pontos identificados e planejar melhor as visitas e intervenções. Dessa forma, as equipes podem concentrar seus esforços nos locais que apresentam maior necessidade de atenção.

Um exemplo de como essa tecnologia já vem sendo aplicada na prática é o Techdengue, que já está presente em mais de 630 municípios e utiliza o mapeamento aéreo para gerar informações que apoiam a atuação das equipes.

Mas o mapeamento é apenas uma parte desse processo. Para Renato Mafra, diretor de operações do programa, o Techdengue atua como um meio entre a identificação de uma situação e a ação necessária para enfrentá-la.

"O Techdengue é um produto meio. Nós somos o meio da cadeia. O nosso papel é gerar informações e direcionamentos que ajudem as equipes a chegar à solução. Para que o resultado seja efetivo, é fundamental que essa informação se transforme em ação na ponta", explica.

O mapeamento, portanto, não encerra o processo. As informações geradas precisam chegar às equipes responsáveis pelas ações no território, que realizam as intervenções necessárias. É essa integração entre tecnologia, gestão e atuação das equipes que transforma a visão ampliada proporcionada pelo drone em ações mais direcionadas de prevenção e controle da dengue.

Sobre o Techdengue

O Techdengue utiliza drones, geotecnologias e análise de dados para apoiar municípios no monitoramento do território e nas ações de prevenção e controle das arboviroses. A partir do mapeamento aéreo, o programa gera informações georreferenciadas que auxiliam gestores e equipes na identificação de possíveis criadouros e na definição de áreas prioritárias para atuação.

Atualmente, o programa está presente em mais de 630 municípios, já mapeou mais de 260 mil hectares e identificou mais de 660 mil possíveis criadouros.

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