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Maus-tratos contra animais crescem no Amazonas e acendem alerta para violência silenciosa dentro de casa

Mais de 500 ocorrências foram registradas em 2025; projeto aprovado na Aleam aposta em educação, conscientização e fortalecimento do vínculo entre pets e tutores

Maus-tratos contra animais crescem no Amazonas e acendem alerta para violência silenciosa dentro de casa
(Foto: DIA DIA AM/REPRODUÇÃO)

O número crescente de casos de violência e maus-tratos contra animais no Amazonas revela um problema que, muitas vezes, permanece longe dos olhos da sociedade. Em 2025, o estado registrou centenas de ocorrências envolvendo agressões e abandono de animais, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM). Os números, que variam entre 549 e 569 registros conforme os levantamentos divulgados, mostram a dimensão de uma realidade que ainda pode ser muito maior diante dos casos que não chegam às autoridades.

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Por trás das estatísticas estão cães, gatos e outros animais domésticos submetidos a agressões físicas, abandono, negligência e situações de sofrimento. Mais de 90% dos casos atendidos por abrigos e projetos sociais na região envolvem agressões físicas e maus-tratos emocionais, evidenciando que a violência contra os animais não se resume a episódios extremos de abandono nas ruas.

Uma das faces mais preocupantes desse problema é justamente aquela que não aparece nas estatísticas: a violência praticada dentro de casa, longe de testemunhas e, muitas vezes, sem que vizinhos ou familiares sequer saibam do que está acontecendo.

Em muitos casos, o animal depende exclusivamente do próprio tutor para alimentação, cuidados veterinários, proteção e segurança. Essa relação de dependência pode fazer com que situações de negligência e agressão permaneçam por longos períodos sem serem percebidas. O silêncio também contribui para a continuidade dos maus-tratos.

Casos registrados em Manaus envolvendo abandono extremo, envenenamento e animais encontrados com ferimentos graves têm mobilizado equipes de atendimento veterinário e provocado indignação. São situações que chamam a atenção pela gravidade, mas que também ajudam a revelar um problema cotidiano que nem sempre recebe a atenção necessária.

Projeto de Lei para conscientização

É justamente nesse cenário que ganha importância a discussão sobre educação e prevenção. Mais do que responsabilizar quem pratica violência, especialistas e defensores da causa animal apontam para a necessidade de ensinar a população a reconhecer os sinais de maus-tratos, compreender as responsabilidades de um tutor e entender que animais de estimação são seres que necessitam de cuidados permanentes.

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), essa preocupação ganhou uma resposta por meio do Projeto de Lei nº 1.047/2025, de autoria do deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM). A proposta, aprovada nesta quinta-feira, prevê a criação da Semana da Amizade entre Animais de Estimação e seus Tutores, com campanhas educativas e ações voltadas ao fortalecimento do vínculo entre as pessoas e seus animais de estimação.

O projeto segue agora para sanção do governador do Amazonas.

A iniciativa busca atuar justamente em uma dimensão que ainda recebe pouca atenção: a educação para a convivência responsável. A ideia é utilizar campanhas e ações de conscientização para estimular o cuidado, o respeito e a proteção dos animais, além de reforçar entre os tutores a responsabilidade assumida no momento em que levam um animal para casa.

Violência que pode estar acontecendo ao lado

O crescimento dos registros em 2025 também reforça a necessidade de a sociedade olhar para os maus-tratos como uma questão que não deve ser naturalizada. Um animal constantemente agredido, privado de alimentação e água, mantido em condições inadequadas ou submetido ao abandono não está apenas diante de um problema de cuidado: está sendo vítima de violência.

E essa violência pode estar acontecendo dentro de uma residência aparentemente comum, sem que ninguém perceba.

Por isso, a conscientização também passa pela capacidade de identificar mudanças no comportamento dos animais, sinais de medo, ferimentos recorrentes, desnutrição, falta de higiene ou outras condições incompatíveis com uma guarda responsável.

A aprovação do PL 1.047/2025 coloca a educação no centro desse debate. Ao incentivar campanhas e atividades que aproximem tutores e animais, a proposta procura transformar a relação de cuidado em uma ferramenta de prevenção à violência.

Em um estado onde mais de 500 ocorrências foram oficialmente registradas em apenas um ano, o desafio não é apenas fazer com que mais denúncias sejam registradas. É impedir que novos casos aconteçam.

O combate aos maus-tratos começa quando a sociedade deixa de enxergar a violência contra animais como algo menor ou privado e passa a compreender que proteger um animal também é uma responsabilidade coletiva. A informação, a denúncia e a educação são caminhos fundamentais para romper o silêncio que, muitas vezes, mantém esses casos escondidos dentro de casa.

 

Fonte: ASSESSORIA

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