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Goiânia aposta no biometano para renovar a frota

A Região Metropolitana de Goiânia implementa um plano de renovação da frota de transporte coletivo que combina ônibus elétricos, veículos a biometano e GNV, com meta de 1.590 unidades até o início de 2027. O projeto conta com apoio de leis estaduais que incentivam o biogás e o biometano, e busca reduzir emissões ao integrar diferentes tecnologias.

Goiânia aposta no biometano para renovar a frota
Goiânia aposta no biometano para renovar a frota

A Região Metropolitana de Goiânia vem adotando uma estratégia de renovação do transporte coletivo baseada na combinação de diferentes tecnologias de baixa emissão. O modelo reúne ônibus elétricos nos corredores de maior demanda e veículos movidos a biometano e GNV para ampliar a renovação da frota, cuja previsão é incorporar 1.590 novos ônibus até o início de 2027, segundo informações da Nova RMTC.

Para José Eduardo Luzzi, presidente do Instituto MBCBrasil e diretor do segmento de Veículos Comerciais da Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças), a iniciativa demonstra como políticas públicas, desenvolvimento regional e diferentes tecnologias podem atuar de forma complementar na transição energética da mobilidade urbana.

"O Brasil possui realidades muito distintas entre suas regiões. A descarbonização da mobilidade precisa considerar as características locais, a infraestrutura disponível e a capacidade de renovação das frotas. Utilizar diferentes tecnologias amplia as possibilidades de reduzir emissões de forma efetiva", afirma.

A estratégia também dialoga com o potencial produtivo de Goiás. O Estado conta com uma política de incentivo ao biogás e ao biometano instituída pela Lei Estadual nº 20.710/2020, posteriormente fortalecida pela Lei Estadual nº 23.168/2024 e pelo Decreto Estadual nº 10.712/2025, que regulamentou incentivos fiscais para produtores e distribuidores do setor.

Para o executivo, um dos principais desafios para ampliar o uso do biometano no transporte urbano é consolidar uma cadeia de abastecimento em escala suficiente para atender às frotas.

"Não há escala sem demanda garantida, e não há demanda garantida sem uma política pública consistente. O transporte coletivo exerce um papel importante ao criar essa demanda inicial e estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva regional", explica.

Essa visão é reforçada pelo estudo "Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil até 2040", desenvolvido pelo Instituto MBCBrasil em parceria com a LCA Consultoria. O levantamento aponta que a descarbonização da mobilidade brasileira passa necessariamente pela combinação de diferentes rotas tecnológicas — como eletrificação, etanol, biodiesel e biometano —, considerando as características de cada região, o tipo de transporte e o horizonte de implementação. O estudo também destaca que o avanço dessa agenda depende de previsibilidade regulatória, expansão da infraestrutura e coordenação entre o setor público e privado.

Na avaliação do especialista, a renovação da frota com ônibus equipados com tecnologia Euro VI também contribui para reduzir emissões de material particulado e gases de efeito estufa em comparação com veículos mais antigos movidos a diesel, ao mesmo tempo em que permite acelerar a substituição da frota sem depender exclusivamente da expansão da infraestrutura elétrica de recarga.

Segundo Luzzi, o Brasil reúne condições favoráveis para avançar nesse processo por contar com uma matriz energética diversificada e uma trajetória consolidada na produção e no uso de biocombustíveis. Para ele, aproveitar essas vantagens exige uma abordagem que considere as diferentes realidades regionais e utilize as tecnologias de forma complementar.

"O debate sobre transição energética não deve se restringir à escolha de uma única solução tecnológica. A combinação de diferentes alternativas, considerando as características de cada região, pode contribuir para reduzir emissões, renovar a frota e fortalecer a indústria nacional de veículos comerciais", conclui.

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