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Tratamento para obesidade ganha novo modelo clínico

Reconhecimento da obesidade como doença crônica multifatorial impulsiona a busca por cuidados mais estruturados, que priorizam o acompanhamento médico contínuo e mudanças sustentáveis no estilo de vida

Tratamento para obesidade ganha novo modelo clínico
Tratamento para obesidade ganha novo modelo clínico

Nos últimos anos, a obesidade passou a ser considerada uma das maiores questões de saúde pública no Brasil e no mundo. Recentemente, uma nova diretriz divulgada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) reforça esse entendimento ao tratar a condição como doença crônica inflamatória e multifatorial, e não apenas como fator de risco.

O documento destaca a importância das mudanças no estilo de vida e traz recomendações sobre o uso de medicamentos para auxiliar na redução de complicações metabólicas. Esse avanço científico e institucional tem impulsionado a busca por modelos clínicos mais estruturados, capazes de oferecer acompanhamento médico contínuo e estratégias sustentáveis de cuidado.

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), com base em dados do Ministério da Saúde, revela que o Brasil registrou cerca de 9 milhões de pessoas com algum índice de obesidade mórbida em 2024. Além disso, o órgão destaca que, entre 2020 e 2024, foram realizadas aproximadamente 292 mil cirurgias bariátricas, um crescimento de 42,4% no período.

Para o cirurgião Dr. Gean Carlos Oliveira, diretor técnico da clínica Longevitá, em Santa Catarina, os dados evidenciam que a obesidade deixou de ser um problema restrito ao comportamento individual, exigindo abordagens clínicas mais estruturadas e contínuas.

"Hoje sabemos que não se trata apenas de alimentação, mas de um desequilíbrio envolvendo hormônios, neurotransmissores, inflamação sistêmica e fatores genéticos. Esse avanço mudou completamente a abordagem médica: saímos de intervenções isoladas para um modelo estruturado, contínuo e baseado em evidências, com foco no tratamento da causa, e não apenas dos sintomas", explica.

Segundo o médico, muitas vezes apenas uma dieta isolada não é capaz de gerar resultados duradouros, já que a obesidade é, em essência, uma doença inflamatória e neuroendócrina. "Quando tratamos apenas a alimentação, sem abordar o estado inflamatório do organismo e os desajustes hormonais e metabólicos, estamos atuando de forma superficial. O corpo tende a reagir com mecanismos de defesa, como aumento da fome e redução do gasto energético, levando ao chamado ‘efeito sanfona’."

A importância do cuidado integrado

O acompanhamento médico contínuo vem sendo apontado como um dos principais fatores para o sucesso terapêutico. De acordo com o Dr. Gean Carlos Oliveira, lidar com uma doença crônica exige monitoramento, ajustes e individualização constante para evitar reganho de peso, complicações clínicas e perda de massa muscular.

"Além disso, o acompanhamento permite trabalhar não apenas o emagrecimento, mas também a qualidade de vida, a saúde metabólica e a prevenção de doenças associadas", afirma.

"Os resultados vão além da balança. Os pacientes relatam melhora significativa em energia, disposição, qualidade do sono, clareza mental e autoestima. Há impactos práticos no dia a dia: voltar a se sentir confortável nas próprias roupas, recuperar mobilidade, viajar sem limitações e realizar atividades simples com mais liberdade. São conquistas que representam uma transformação profunda na qualidade de vida", acrescenta o especialista.

Informação e redução do estigma

Na Longevitá, o modelo de cuidado é baseado em protocolos estruturados e personalizados, considerando o padrão metabólico individual de cada paciente. O tratamento envolve avaliação metabólica e hormonal, correção de deficiências nutricionais, nutrição estratégica e uso de medicações modernas. "Nossa proposta é tratar a causa da obesidade, e não apenas o peso, gerando resultados mais consistentes e sustentáveis", destaca o médico.

Para o Dr. Gean Carlos Oliveira, ampliar a informação sobre a obesidade como doença crônica é considerado essencial para reduzir o estigma e melhorar o acesso ao tratamento adequado. "Enquanto a obesidade for vista como falta de disciplina, muitos pacientes continuarão sem procurar ajuda ou receberão abordagens inadequadas", avalia.

Segundo ele, essa mudança de percepção pode impactar diretamente na redução de complicações como doenças cardiovasculares, diabetes e até câncer. "Informação correta gera diagnóstico precoce, tratamento eficaz e transformação de vidas", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://longevita.med.br/

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