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Morre Luiz Carlini, que criou o solo de ‘Ovelha Negra’ e tocou com Rita Lee, aos 73

CRISTINA CAMARGO
FOLHAPRESS

Luiz Sergio Carlini, um dos mais importantes guitarristas do Brasil, morreu nesta quinta-feira (7), aos 73 anos. A morte foi informada pela página do músico no Instagram. A causa não foi divulgada.

Parceiro de Rita Lee, ele tocou também com Erasmo Carlos, Lobão, Titãs, Barão Vermelho, Rádio Táxi, Marcelo Nova e Supla. Carlini ainda fazia parte da banda que acompanha Guilherme Arantes na turnê “50 Anos-Luz”.

Há duas semanas, Arantes e os outros músicos mandaram um recado para o guitarrista. “Vai voltar logo para junto da gente. Seu lugar é aqui”, disse o cantor, sem revelar o motivo do afastamento.

Carlini também tocava na banda Tutti Frutti, com músicas como “Agora Só Falta Você”, “Ovelha Negra”, “Jardins da Babilônia” e “Esse Tal de Roque Enrow” no repertório de shows.

Ele conheceu Rita Lee nos Mutantes, quando os dois ainda eram adolescentes. Era vizinho do grupo na Pompeia, berço do rock paulistano, e chegou a atuar como roadie.

“Vi muitas músicas sendo criadas, entre elas ‘Ando Meio Desligado’ e ‘Balada do Louco’”, disse em entrevista ao canal Studio 8 Records, no Youtube.

Ele e Rita formaram o grupo Tutti Frutti após a saída da cantora dos Mutantes. Carlini vinha de outra banda, a Lisergia. O solo da guitarra dele em “Ovelha Negra”, um dos hits da roqueira, do disco “Fruto Proibido”, é considerado histórico na música brasileira -o músico, aliás, se dizia cansado de ter que narrar como foi criado.

O disco já estava pronto, mas o guitarrista acompanhava a mixagem e sentiu um vazio na canção. “Pensei tanto naquilo que sonhei com o solo. Acordei assobiando o solo de ‘Ovelha Negra’”, dizia.

Kardecista, o músico acreditava ter recebido espiritualmente a inspiração. No estúdio, precisou insistir para incrementar a faixa, preparada para ser a balada que ajudaria a vender o álbum. Numa madrugada, mostrou o solo para o produtor musical Andy Mills e convenceu o grupo. Nascia um clássico.

Carlini guardou para sempre a guitarra usada naquela madrugada, uma Les Paul.

Do Tutti Frutti, porém, não guardou apenas lembranças boas. Após uma briga com Rita e outros músicos, Carlini ficou com o nome da banda e montou uma nova formação, na qual ele era o único membro original, em 1978.

“Carlini registrou o nome Tutti Frutti escondido de todos nós. Foi uma traição inesquecível, uma atitude desonesta de sua parte”, disse Rita a este jornal em fevereiro de 2000. “Desejo sorte para ele, é um batalhador e bom guitarrista, mas nunca conseguiu o sucesso que pretendia em nenhuma das milésimas vezes que usou o nome Tutti Frutti com outras formações.”

Sobre a acusação, Carlini se defendeu, à época, dizendo que Rita já era maior que o grupo e, por isso, o registrou por conta própria. “Registrei o Tutti Frutti achando que Rita não iria mais precisar do grupo. Eu fui muito legal com ela como guitarrista. Participei no processo de criação de vários sucessos dela e topei ficar sem crédito numa boa”, afirmou.

Depois do lançamento do disco “Você Sabe Qual o Melhor Remédio”, que teve recepção morna, o Tutti Frutti se desfez, três anos depois. Eles voltariam à ativa no fim dos anos 1990, novamente com Carlini, fazendo shows até recentemente.

Carlini teve sua vida narrada no documentário “Luiz Carlini: Guitarrista de Rock”, do diretor Luiz Carlos Lucena, lançado em 2023 com depoimentos de artistas como Erasmo Carlos, Kiko Zambianchi, Andreas Kisser, Guilherme Arantes, Pepeu Gomes, Supla, Frejat e Wanderléa.

O velório de Carlini, aberto ao público, acontece a partir das 12h desta sexta-feira (8), no Cemitério da Lapa, zona oeste de São Paulo. Seu corpo será sepultado no fim da tarde, no mesmo local.

Fonte: Jornal de Brasília

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