SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Reconhecida por sua trajetória em mais de 30 anos de teledramaturgia, Giovanna Antonelli decidiu, ao longo dos últimos anos, que era necessário encontrar novas formas de impactar o público –sobretudo o feminino. Com esse objetivo, criou mentorias de empoderamento que visam transformar a vida de mulheres.
E a atriz diz que essa nova faceta tem feito bem a ela, que define como “delicioso e enlouquecedor” a tarefa de dividir os dois campos de atuação em sua rotina. “Eu nunca pensei muito em ser exemplo, mas percebi que quando uma mulher tem informação, rede de apoio e oportunidade para empreender ou liderar a própria trajetória, tudo muda”, diz.
Nesta quarta-feira (18), a artista celebra a chegada aos 50 anos e faz algumas reflexões sobre vaidade, o processo de envelhecimento e como se sente mais madura. “Entro nessa faixa com mais consciência. Entendo melhor quem eu sou, o que me sustenta e o que não vale mais carregar.”
Confira abaixo, em tópicos, os principais pontos da entrevista com a atriz.
Chegada aos 50 anos – “Entro nessa faixa com menos balanço e mais consciência. Entendo melhor quem eu sou, o que me sustenta e o que não vale mais carregar. Posso afirmar que vivi intensamente, com trabalho, família, escolhas, erros e acertos, e isso construiu quem eu sou. Não tenho relação de arrependimento com minha história, só aprendizado. Cada fase me exigiu uma nova versão.”
A vida hoje – “Me sinto mais livre. Menos preocupada com expectativas externas e completamente comprometida com o que faz sentido de verdade. O tempo me ensinou que maturidade não é ter muitas respostas, mas escolher melhor as perguntas.”
Mudanças – “Nos anos 1990, eu era uma menina começando com muita curiosidade, paixão e vontade. A televisão foi minha escola. Observava, escutava e tentava entender como aquele universo funcionava. Com o tempo, fui ganhando experiência, repertório e responsabilidade. Hoje eu escolho meus projetos, histórias que quero contar e caminhos que quero construir. Tenho consciência do meu lugar, com a mesma curiosidade, mas com liberdade para experimentar.”
Vaidade aos 50 – “Tão bom falar disso com naturalidade. Envelhecer é o privilégio de estar viva. É preciso aprender a se relacionar com o próprio corpo. Me preocupo com saúde, bem-estar, energia para trabalhar. Estou sempre em movimento. Hoje, a cobrança estética pesa menos do que quando eu era mais nova. E a menopausa, cada mulher vive de um jeito. Vai se adaptando e entendendo as novas fases. Informação e acompanhamento médico fazem toda a diferença para atravessar esse momento com mais tranquilidade.”
Empoderamento feminino – “Entender o próprio valor é um processo, e percebi que experiência acumulada também serve para abrir caminhos para outras pessoas. Eu nunca pensei muito em ser exemplo, mas em fazer o meu trabalho com seriedade, disciplina e em construir coisas que façam sentido. Autonomia muda tudo. Quando uma mulher tem informação, rede de apoio e oportunidade para empreender ou liderar a própria trajetória, ela não muda só a vida dela, mas tudo ao redor. Por isso, quero criar cada vez mais espaços de troca e crescimento entre mulheres.”
Atuar e palestrar – “A arte me ensinou muito sobre narrativa, escuta, sobre entender pessoas e contextos. E essas ferramentas acabam sendo muito úteis também quando você trabalha com formação, liderança e desenvolvimento de projetos. Na prática, eu não divido as áreas e organizo o tempo para elas conviverem. A atriz continua com a mesma intensidade, conversando com outras frentes da minha vida profissional. É um equilíbrio delicioso e às vezes enlouquecedor. No segundo semestre, vou levar as mentorias à Europa.”
Projetos na dramaturgia – “Tenho o lançamento do filme ‘Rio de Sangue’, que chega aos cinemas agora em abril, e também novos projetos de série em desenvolvimento. Em maio, mais um longa: ‘Gatota’, pois a atuação continua sendo a minha base. Nos últimos anos, fui ampliando para outras áreas, mas não vejo essas frentes como carreiras separadas, e sim como extensões da mesma trajetória.”
Top 3 de novelas – “‘O Clone’ (2001), pois a Jade foi um fenômeno, e a novela trouxe discussões sobre cultura, fé e comportamento; ‘Da Cor do Pecado’ (2004), uma trama muito popular, com personagens que criaram uma conexão enorme com o público; e, por fim, ‘Salve Jorge’ (2012). A procura pelo concurso de delegada aumentou 300% no Brasil depois dessa novela. Helô [personagem dela] tinha muita força, dialogou com o público feminino e trouxe ao centro da história um tema muito sério: o tráfico humano.”
Estreia do filho em ‘Quem Ama Cuida’ – “Pietro [Antonelli, recém-contratado pela Globo] é muito focado e determinado. Muito interessado em aprender. Ele observa, pergunta, e isso é um ótimo ponto de partida para qualquer profissão. Existe meu lado coruja, mas existe muito respeito pelo caminho dele. Eu e Murilo [Benício, o pai] não empurramos nada, nossa função é orientar e não conduzir. Talento não é exatamente hereditário, mas ele cresceu vendo ensaio, set, roteiro, conversas sobre personagens…”
Possíveis críticas – “Elas fazem parte da profissão. Todo ator passa por isso. O importante é ele entender que essa é uma carreira de longo prazo, que exige estudo, disciplina e muita humildade para continuar aprendendo. Torço para que o Pietro coloque a crítica e o elogio no mesmo lugar desde cedo. Assim tudo se tornará mais leve.”
Amizade com o ex – “Com filhos envolvidos, a maturidade vira responsabilidade. A vida muda, os caminhos das pessoas também, mas o vínculo familiar continua. Acredito no respeito, diálogo e generosidade. Não significa que tudo é perfeito ou simples, mas significa escolher um lugar saudável para todo mundo. Passamos por cima de situações e escolhemos construir uma vontade real de manter a boa convivência e amizade.”
Fonte: Jornal de Brasília





