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Saúde

Primeira turma de residência multiprofissional na rede municipal de saúde

Primeira turma de residência multiprofissional na rede municipal de saúde
(Foto: Divulgação/Semsa)

 

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu, na sexta-feira, (06), a cerimônia de abertura da primeira turma do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade (Remulti). A cerimônia foi realizada no auditório Professora Vânia Pimentel, na Universidade Nilton Lins, bairro Flores, zona Sul, integrando a Semana de Acolhimento 2026, do Programa de Residências da Escola de Saúde Pública (Esap/Semsa), que teve início na segunda-feira, (02), e será encerrada no dia 10.

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A coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Esap, Thalita Guedes, explicou que a nova modalidade de residência segue no padrão de pós-graduação lato sensu, baseada na educação em serviço, com duração de dois anos e dedicação exclusiva dos residentes.

“O objetivo é formar profissionais com perfil crítico-reflexivo e competências para atuar na atenção, vigilância e gestão em saúde, por meio da educação interprofissional em serviço, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destacou Thalita Guedes.

A primeira turma de Residência Multiprofissional foi iniciada com nove residentes e as vagas foram preenchidas por profissionais nas áreas de Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Serviço Social, que serão inseridos diretamente nos serviços da rede municipal de saúde.

Durante o programa, o grupo de residentes vai desenvolver atividades teóricas e práticas em diferentes cenários da rede de atenção à saúde, em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em outros pontos de atendimento na rede municipal.

“No programa de residência, a proposta pedagógica está fundamentada em metodologias ativas de ensino-aprendizagem, como situações-problema, estudos de caso, oficinas, narrativas de prática e discussões em pequenos grupos, articulando teoria e prática e promovendo a reflexão crítica sobre os desafios reais do trabalho em saúde”, informou a coordenadora.

A formação durante o período de dois anos foi organizada a partir de quatro eixos estruturantes de competências, que vão orientar o desenvolvimento profissional dos residentes: Gestão em Saúde, Vigilância em Saúde, Educação e Promoção da Saúde, e Atenção à Saúde.

De acordo com Thalita Guedes, a implantação do Remulti representa mais um passo na estratégia da Semsa de consolidar a integração entre ensino, serviço, comunidade e gestão, ampliando a capacidade formativa da rede municipal de saúde e contribuindo para a qualificação das práticas de cuidado na Atenção Primária.

“Ao articular diferentes profissões da saúde em processos formativos colaborativos, o programa busca fortalecer o trabalho em equipe, ampliar a resolutividade da atenção à saúde e formar profissionais comprometidos com a integralidade do cuidado e com as necessidades da população manauara”, afirmou Thalita.

Para a cirurgiã-dentista Alana Cristina Caldeira Corrêa, que vai participar da primeira turma, a residência multiprofissional é a oportunidade de concretizar o projeto definido ainda durante o período de graduação.

“Sempre tive afinidade com a saúde coletiva, desde a faculdade, e decidi fazer a prova para tentar uma vaga na residência. A expectativa é poder trazer mudanças para o território onde vamos atuar. Como somos a primeira turma, esperamos poder ter um grande impacto e que as próximas turmas consigam replicar as mudanças positivas que vamos implementar”, ressaltou Alana Corrêa.

Acolhimento

Além da primeira turma de residência multiprofissional, a Semsa já conta com a residência em Medicina de Família e Comunidade e em Enfermagem de Família e Comunidade. Em 2026, o programa de residências receberá 30 profissionais médicos e 8 profissionais de enfermagem.

Inserido na programação anual da Esap, a Semana de Acolhimento do Programa de Residências tem a participação de residentes de primeiro e segundo ano, quando é realizada a apresentação da estrutura organizacional da Semsa, dos preceptores que vão acompanhar os residentes e os profissionais que são referência nos serviços

Conforme explicou a diretora da Esap/Semsa, Karina Cerquinho, a Semana de Acolhimento é importante também para a integração entre profissionais médicos, enfermeiros e das áreas de educação física, farmácia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social, que atuam ou vão atuar como residentes.

“Esse é um momento em que a Semsa acolhe os alunos que estão ingressando nos programas de residência, para que se sintam pertencentes ao espaço que vão ocupar nesse período. Também é uma estratégia para que os residentes possam trocar experiência, conhecendo o serviço, em atividades dinâmicas e interativas”, afirmou a diretora.

Formatura

Na programação da tarde de sexta-feira, 6/3, na Universidade Nilton Lins, bairro Flores (zona Sul), a Esap/Semsa também realizou a cerimônia de formatura de 25 profissionais médicos da 13ª Turma do Programa de Residência Médica de Medicina de Família e Comunidade (PRMMFC).

O supervisor do Programa de Residência Médica, Frederico Lopes Cavalcante, informou que o grupo de formandos participou da residência por dois anos e atuou em 17 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Com a conclusão da nova turma, Frederico Cavalcante destaca que os residentes passam a ter a formação como especialistas, aptos para atuação na Atenção Primária no SUS, na prevenção de doenças, promoção da saúde, recuperação e tratamento de condições crônicas.

“Como a Semsa é gerente da Atenção Primária, a rede municipal atua para uma formação de profissionais com foco e preparação para trabalhar nesse espaço”, reforçou o supervisor.

Frederico Cavalcante ainda destacou que em se tratando de Medicina de Família e Comunidade, a principal diferença é o foco não somente no indivíduo, mas também para uma atenção que considera o contexto biopsicossocial e espiritual.

“O entendimento é que as pessoas estão inseridas em um contexto familiar, social e de território, que formam comunidades que são bem diferentes em cada bairro da nossa cidade”, explicou Frederico.

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Ele citou como exemplo a Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Parque das Tribos, no bairro Tarumã, zona Oeste, que atende uma grande população indígena não aldeada.

“Quem trabalha nessa UBSF precisa desenvolver habilidades técnicas e clínicas, e uma abordagem culturalmente competente para lidar com a população de povos originários daquela comunidade. São necessárias habilidades específicas, já que não adianta comparar quem mora nos bairros Tarumã e Jorge Teixeira, que são territórios com características e demandas diferentes em saúde”, concluiu Frederico Cavalcante.

 

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