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BajaTek revisa Century CR7 de Lélio Jr. para os Sertões

Revisão do carro de competição leva dois meses e envolve fornecedores no Brasil, na África do Sul, na França e nos EUA antes da largada

BajaTek revisa Century CR7 de Lélio Jr. para os Sertões
BajaTek revisa Century CR7 de Lélio Jr. para os Sertões

Antes de o Century CR7 encarar os desafios do Rally dos Sertões, o carro passa por um processo que começa muito antes das primeiras especiais. Durante cerca de dois meses, o veículo pilotado pela dupla Lélio Vieira Carneiro Júnior e Weberth Moreira é desmontado quase por completo na oficina da BajaTek, representante oficial da Century no Brasil, para revisão de câmbio, diferenciais e demais componentes do powertrain.

O trabalho é conduzido pela equipe de engenharia da BajaTek e integra a preparação da equipe para uma das provas mais tradicionais do calendário de rally raid no Brasil. Antes de a corrida começar nas especiais, ela já está em andamento dentro da oficina, onde cada peça do carro passa por inspeção individual.

O powertrain é o conjunto responsável por transmitir a potência gerada pelo motor até as rodas do carro. No Century CR7, essa estrutura inclui atuador da embreagem, embreagem, câmbio, diferencial central, diferenciais dianteiro e traseiro e homocinéticas. Todos os componentes passam por desmontagem completa, limpeza, inspeção e, quando necessário, substituição por peças novas.

"Muita gente imagina que revisar um carro de competição é apenas trocar alguns componentes. No nosso caso, não. O carro é praticamente desmontado. O powertrain reúne tudo o que transmite a força do motor até as rodas, e cada peça precisa ser inspecionada individualmente", explica Cadu Sachs, engenheiro da BajaTek responsável pelo acompanhamento técnico da preparação do carro do piloto da Fifi Rally, Lélio Vieira Carneiro Júnior.

Entre os itens revisados, o câmbio concentra a etapa mais longa do processo. O componente reúne cerca de 250 peças internas, o que faz com que a equipe não trabalhe com estoque completo de reposição. O procedimento segue uma ordem fixa: primeiro o câmbio é totalmente desmontado, e só depois da inspeção técnica é possível identificar quais peças apresentam desgaste e precisam ser trocadas.

A partir daí, o processo passa a depender de fornecedores internacionais. As peças do câmbio são solicitadas à SADEV, fabricante francesa responsável pelo equipamento usado no Century CR7. Em alguns casos, os componentes não estão disponíveis em estoque e precisam ser fabricados antes do envio ao Brasil. O mesmo procedimento se repete com os diferenciais, encomendados à Fortin, fabricante localizada na Califórnia, nos Estados Unidos.

Entre diagnóstico técnico, fabricação, transporte internacional e remontagem, o processo completo leva cerca de dois meses, prazo definido para que o carro esteja pronto a tempo da largada do Rally dos Sertões.

Equipe na oficina e fornecedores em quatro países

Na oficina, quatro profissionais atuam diretamente sobre o carro: Artur Ranzini, Cauã, Leonel e Cadu Sachs. Mas a revisão do Century CR7 envolve uma cadeia bem maior de pessoas, distribuída entre fabricantes, fornecedores e equipes de compras e logística que trabalham simultaneamente para que cada peça atravesse o oceano e chegue ao Brasil dentro do prazo.

Esse tipo de organização é comum na preparação de carros para competições off-road de longa distância, em que a logística de peças é tão determinante quanto o desempenho em pista. No caso da Fifi Rally, a rotina se repete a cada temporada, sempre que o time se prepara para uma nova edição do Sertões.

No Rally dos Sertões, potência não é o único fator que define o resultado. Um carro competitivo também precisa suportar milhares de quilômetros de areia, pedras, erosões e lama sem apresentar falhas mecânicas ao longo das etapas. É por isso que a revisão completa do Century CR7 recebe atenção prioritária da equipe antes de cada edição da prova.

O Rally dos Sertões é uma das principais competições off-road das Américas e integra o calendário do campeonato brasileiro de rally, ao lado de outras provas de rally raid disputadas no país, como o RN 1500 e as etapas do Sertões Series, além do sul-americano que reúne rodadas internacionais como o South American Rally Race (SARR), realizado na Argentina. Esse conjunto de provas forma o cenário em que equipes como a Fifi Rally atuam ao longo da temporada, alternando entre competições nacionais e etapas fora do Brasil.

Quando Lélio Carneiro Júnior e Weberth Moreira colocarem o capacete para a largada, parte decisiva do trabalho já terá sido concluída semanas antes. No automobilismo de rally raid, a preparação do carro é tão determinante quanto a pilotagem durante a prova, e é dentro da oficina que boa parte do resultado começa a ser definida.

Para Lélio Júnior, que soma experiência em diferentes categorias do esporte a motor, a revisão completa do Century CR7 é parte da rotina de quem compete nas provas de rally mais longas e exigentes do país. A aventura off-road do Sertões, marcada por trechos de areia, pedras e terrenos variados, exige que o carro chegue à largada nas melhores condições possíveis, resultado direto do trabalho técnico realizado nos meses anteriores à corrida.

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