O debate sobre o fim da escala 6×1 ainda tramita no Congresso, mas alguns setores já se antecipam à possível mudança. É o caso da logística, em que a nova jornada de trabalho deve ter impactos operacionais. Segundo a Ekantika Consultoria, a adaptação à nova jornada requer planejamento antecipado, redesenho de processos e uso estratégico de tecnologia.
"O fim da escala 6×1 criará uma nova realidade operacional e as empresas devem entender esses impactos e se preparar para mitigá-los", recomenda Andrey Leite, diretor de Excelência Operacional da Ekantika.
Para o consultor, a mudança de escala na cadeia de suprimentos pode levar a riscos como queda de sincronismo, aumento de horas improdutivas, falhas de cobertura em turnos críticos, menor aderência às janelas de atendimento, o que pode gerar perda de produtividade geral. "Em logística, pequenos desvios se propagam rapidamente pela cadeia. O risco está em chegar à mudança sem preparo", afirma.
Sendo assim, na sua avaliação, empresas com mais maturidade em planejamento de capacidade e tecnologia devem absorver a transição com menos ruptura; e as demais devem sentir no nível de serviço e na margem.
Para Leite, os segmentos mais vulneráveis são aqueles com operação contínuas e com alta variabilidade de demanda, como o transporte rodoviário (gestão de motoristas), centros de distribuição com múltiplos turnos, operações portuárias, armazenagem intensiva e entregas de última milha, com pressão de prazo, custo e experiência do cliente.
Mudança por etapas
A Ekantika tem orientado seus clientes a tratar o possível fim da escala 6×1 como uma agenda de excelência operacional e supply chain, não como uma adequação trabalhista pontual.
Andrey Leite recomenda estruturar a mudança em cinco etapas:
- Diagnóstico de capacidade: mapeamento de quais atividades dependem da escala atual, quais turnos são críticos e quais níveis de serviço estão mais vulneráveis;
- Construção de cenários: simulação de diferentes modelos de escala, volumes, sazonalidades, janelas de cliente e restrições de capacidade;
- Redesenho de processos: eliminação de desperdícios, melhoria de produtividade, revisão de malhas logísticas e balanceamento/nivelamento de turnos;
- Priorização de tecnologia: seleção de soluções de maior retorno rápido. Roteirização, gestão de pátio, torre de controle, planejamento de demanda e analytics;
- Governança de transição: definição de indicadores, responsáveis e plano de revisão de SLAs e contratos de fornecedores.
"Quem agir apenas de forma reativa tende a perder eficiência. Quem antecipar cenários, redesenhar processos, investir em produtividade e fortalecer a gestão da cadeia pode transformar a mudança regulatória em vantagem competitiva", conclui Leite.
A Ekantika recomenda ainda que empresas comecem imediatamente a construir uma linha de base de desempenho, sem a qual será impossível separar os efeitos da mudança de jornada de outros fatores operacionais.
Segundo Leite, os principais indicadores a acompanhar nas atividades logísticas são: produtividade por hora e custo por pedido/entrega; OTIF e aderência às janelas de atendimento; ocupação de frota, utilização de docas e tempo de ciclo; absenteísmo, turnover e horas improdutivas; e horas extras e ruptura operacional por turno.
Sobre a Ekantika
A Ekantika atua há mais de 15 anos como um ecossistema especializado em transformações de grandes organizações. Como uma House of Business Solutions, soma mais de 450 projetos realizados para mais de 150 clientes — incluindo grandes empresas líderes em seus segmentos — em mais de 15 setores da economia. Este ecossistema é composto por nove empresas: Ekantika Consultoria; Ekantika Learning Lab; Aliansa; Alliah; Chicago Advisory Partners; iEVO; INFORM; Vector 360 e Vitaryon.
Mais informações disponíveis em: https://ekantika.com.br/



