A inteligência artificial assume papel crescente na análise de informações e no apoio às decisões corporativas. Um estudo global do IBM Institute for Business Value, realizado em 2026 com 2 mil CEOs e executivos de 33 países, mostrou que 64% dos participantes já se sentem confortáveis em tomar grandes decisões estratégicas com base em informações geradas por IA. Ao mesmo tempo, 83% afirmaram que o sucesso da tecnologia depende mais da adoção pelas pessoas do que da própria tecnologia, indicando que o avanço da automação não elimina a participação humana no processo decisório.
A discussão também chegou aos níveis de governança das organizações. Pesquisa da Índice de Valor do Tabuleiro Verão 2026: Edição Global | Inteligência do Conselho, realizada com mais de 400 conselheiros, CEOs e CFOs, apontou que 84% dos conselhos já discutiram quais decisões devem permanecer sob responsabilidade humana e quais podem ter maior participação da inteligência artificial. O cenário reforça uma mudança na forma como a tecnologia é incorporada à gestão: além de analisar grandes volumes de informações e identificar padrões, as ferramentas de IA precisam operar dentro de critérios definidos pelas organizações.
Qualidade dos dados é o gargalo
A eficácia dessas análises, entretanto, depende das informações disponíveis. Dados financeiros, comerciais, produtivos e logísticos armazenados em sistemas diferentes podem apresentar inconsistências ou oferecer apenas uma visão parcial da operação. Nesse contexto, sistemas integrados de gestão contribuem para organizar informações provenientes de diferentes áreas. O SAP Business One, por exemplo, é um ERP voltado a pequenas e médias empresas que reúne dados de finanças, contabilidade, compras, estoque, vendas e relacionamento com clientes em uma única plataforma. Essa integração forma uma base estruturada para análises realizadas por ferramentas de inteligência artificial e outras tecnologias de automação.
IA sozinha não transforma
A presença da IA, por si só, porém, não significa transformação dos processos empresariais. O estudo State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte, aponta que 37% das organizações ainda utilizam inteligência artificial de maneira superficial, com pouca ou nenhuma alteração nos processos existentes, enquanto 30% já redesenham processos relevantes a partir da tecnologia. Os resultados indicam que a adoção de ferramentas precisa estar acompanhada de mudanças na forma como dados, fluxos de trabalho e responsabilidades são organizados.
Resultados financeiros ainda limitados
Outro levantamento, a 29ª Global CEO Survey da PwC, realizada com 4.454 CEOs de 95 países e territórios, mostrou que 56% dos executivos ainda não identificaram benefícios financeiros significativos provenientes da inteligência artificial. Apenas 12% disseram ter obtido simultaneamente redução de custos e aumento de receitas. A pesquisa também relaciona resultados mais consistentes à existência de fundamentos tecnológicos estruturados, integração de sistemas e práticas responsáveis para utilização da IA.
O papel do julgamento humano
"A inteligência artificial amplia a capacidade de analisar informações e levantar cenários, mas a decisão empresarial continua dependendo da qualidade dos dados e da capacidade das pessoas de interpretar o contexto da operação. O papel da tecnologia é oferecer mais elementos para que essas decisões sejam tomadas de maneira estruturada", afirma Marcelo Furtado, Diretor de Tecnologia da Upper. A combinação entre sistemas de gestão, dados integrados, inteligência artificial e julgamento humano tende a ganhar relevância à medida que as organizações ampliam o uso da tecnologia em processos decisórios.





