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Renovação de CRAF pressiona procura por instrutor de tiro

Caçadores, atiradores desportivos e colecionadores respondem por 1,6 milhão de armas registradas no Brasil, e três em cada dez registros do país estão vencidos. Como toda renovação exige laudo de capacidade técnica assinado por instrutor credenciado, a fila recai sobre esse profissional. A Polícia Federal abriu processo seletivo para novos instrutores de armamento e tiro em São Paulo, com inscrições até 28 de agosto.

Renovação de CRAF pressiona procura por instrutor de tiro
Renovação de CRAF pressiona procura por instrutor de tiro

Caçadores, atiradores desportivos e colecionadores, o grupo conhecido pela sigla CAC, reúnem 1,6 milhão de armas de fogo registradas no Brasil, distribuídas entre cerca de um milhão de pessoas com certificado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O mesmo levantamento aponta que três em cada dez registros de armas no país estão vencidos.

Regularizar cada um desses registros passa por um profissional específico. O artigo 4º da Lei 10.826/2003, conhecida como Estatuto do Desarmamento, condiciona a compra, o registro, a transferência e a renovação de arma de fogo à comprovação de capacidade técnica. Na prática, isso significa um teste de tiro presencial e um laudo assinado por instrutor de armamento e tiro credenciado pela Polícia Federal. Sem esse documento, o pedido do CAC não avança no sistema.

Por que a demanda cresceu

O desenho atual do controle de armas vem do Decreto 11.615/2023, que reorganizou as regras de registro, encurtou prazos de validade de certificados e concentrou na Polícia Federal o cadastro das armas de caçadores, atiradores e colecionadores, tarefa que antes ficava com o Exército. Prazo de validade menor significa que o mesmo proprietário volta à fila com mais frequência, e cada volta exige laudo novo.

Para Sandro Christovam Bearare, perito judicial em material bélico e coordenador de cursos de formação de instrutores de armamento e tiro e de armeiros na Propoint, a etapa costuma pegar o proprietário de surpresa. "Capacidade técnica é atestada a cada ciclo. O trabalho do instrutor é reduzir atrito: analisar o que a norma prevê, orientar quando cabe e atestar", afirma.

Polícia Federal recompõe o quadro de instrutores

O número de profissionais habilitados a assinar esses laudos não cresce sozinho. O instrutor de armamento e tiro só passa a atuar depois de aprovado em processo seletivo da Polícia Federal, aberto por edital em cada estado, e o credenciamento tem prazo de validade. Em São Paulo, a corporação recebe inscrições até 28 de agosto, com provas marcadas para os dias 1º, 2 e 3 de dezembro. Outras superintendências regionais publicaram editais próprios ao longo do ano, cada uma com calendário e local de provas independentes.

A seleção tem quatro avaliações: prova escrita sobre legislação e funcionamento de armas, prova prática de tiro, prova oral com simulação de comandos de linha de tiro e prova de desmontagem e montagem de armamento. Antes disso, o candidato passa por análise documental e investigação social. Errar em qualquer etapa elimina.

O caminho até a inscrição

Ninguém chega direto à prova. A Instrução Normativa 111/2017 da Polícia Federal fixa os procedimentos do credenciamento e a carga mínima de disciplinas do curso de formação de instrutor de armamento e tiro, que precisa ser ministrado por empresa especializada e registrada para essa finalidade. Certidões negativas criminais, laudo psicológico, comprovação de ocupação lícita e idade mínima aparecem entre as exigências.

Parte dos interessados confunde o curso com treinamento de tiro comum. "Formar instrutor é diferente de treinar atirador. O candidato aprende a avaliar terceiros, aplicar procedimento e sustentar tecnicamente um ensinamento e um laudo", explica Bearare.

Efeito no calendário de quem precisa renovar

Quem for aprovado em dezembro ainda não assina laudo de imediato: o credenciamento só produz efeito após a publicação da portaria pela Superintendência Regional e a emissão do certificado. Os instrutores selecionados nesta rodada começam a atender em 2027, enquanto o estoque de registros vencidos continua na fila. Para o CAC com data-limite marcada, isso desloca a decisão para agora, e não para o mês do vencimento.

Sobre o especialista: Sandro Christovam Bearare é perito judicial em material bélico, instrutor de armamento e tiro, com atuação na coordenação de cursos de formação de instrutores e armeiros da Propoint, centro de treinamento e formação especializada.

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