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Alta renda amplia busca por ativos reais para patrimônio

Levantamento da Anbima aponta que o segmento de alta renda no Brasil atingiu R$ 3,13 trilhões investidos em 2025, alta de 21,2% sobre 2024. Apesar do volume recorde, 59% do capital seguem concentrados em renda fixa, cenário que tem motivado discussões sobre a diferença entre acumulação financeira e construção patrimonial de longo prazo.

Alta renda amplia busca por ativos reais para patrimônio
Alta renda amplia busca por ativos reais para patrimônio

O segmento de alta renda no Brasil concentrou R$ 3,13 trilhões em investimentos em 2025, crescimento de 21,2% em relação ao ano anterior, segundo o Raio-X do Investidor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Apesar do volume recorde, 59% dos recursos seguem alocados em renda fixa, segmento historicamente associado à preservação de capital. O contraste entre o avanço da acumulação financeira e a alocação concentrada em produtos tradicionais tem chamado a atenção de especialistas em planejamento patrimonial.

Em paralelo ao movimento de capitalização, indicadores apontam para a diversificação em direção a ativos da economia real. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que o mercado imobiliário registrou recordes no mercado imobiliário brasileiro em diversos indicadores, dentre os quais o número de unidades lançadas e vendidas, o valor geral de lançamentos (VGL) e a quantidade de novas unidades do programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV). Já o segmento de geração distribuída de energia solar superou 45 gigawatts de potência instalada, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), com participação crescente de investidores pessoa física.

O comportamento sinaliza uma transição no perfil do investidor de alta renda. Relatórios setoriais de gestoras de patrimônio indicam que profissionais liberais, médicos e empresários têm buscado estruturas que combinem ativos financeiros e ativos tangíveis, com foco em renda recorrente e proteção contra ciclos econômicos. A tendência aparece em pesquisas como o estudo Global Wealth Report, da Capgemini, que aponta que indivíduos com alto patrimônio líquido agora alocam 15% de seus portfólios em investimentos alternativos.

Sobre esse cenário, Adrian Carvalho, fundador da QUARTAVIA e especialista em engenharia patrimonial, observa que a concentração em produtos financeiros tradicionais reflete uma lacuna entre acúmulo de capital e organização patrimonial. Para ele, o avanço dos ativos da economia real entre profissionais de alta renda decorre, em parte, da busca por mecanismos que produzam renda independentemente da presença do dono.

"Acumular capital e construir patrimônio são processos distintos; o segundo passa pela coordenação de ativos reais, não apenas pela alocação financeira", afirma Carvalho. Segundo o especialista, a engenharia patrimonial atua justamente nessa fronteira: ordena decisões, organiza o patrimônio existente e estrutura a aquisição coordenada de ativos como imóveis, energia e participações produtivas, com horizonte de longo prazo.

Neste contexto, entre os dias 25 e 29 de maio, a QUARTAVIA promove uma imersão online voltada a profissionais com renda mensal superior a R$ 20 mil. O conteúdo aborda diagnóstico patrimonial, organização de receitas e estruturação de ativos da economia real, com foco em planejamento patrimonial e gestão de riscos. A iniciativa se insere em um movimento mais amplo de educação patrimonial voltado a famílias de renda elevada que buscam complementar a alocação financeira tradicional.

Para Carvalho, o cenário atual reforça uma mudança de mentalidade entre profissionais que chegaram à maturidade de carreira com renda elevada, mas patrimônio descoordenado. "A discussão deixa de ser sobre onde investir e passa a ser sobre como estruturar o patrimônio que já existe", avalia. A perspectiva, segundo ele, deve ganhar relevância nos próximos anos, à medida que o avanço dos juros reais e a busca por diversificação levam o investidor de alta renda a reavaliar a composição entre acumulação líquida e ativos produtivos.

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