Com o aumento das compras on-line, do uso de aplicativos bancários e das interações por redes sociais, o Brasil vive um avanço expressivo dos golpes digitais. Apenas no primeiro semestre de 2025 foram registradas 174 mil ocorrências. As fraudes envolvem a criação de páginas falsas e a divulgação de promoções inexistentes, distribuídas por e-mail, SMS e aplicativos de mensagens.
Segundo José Manuel Barbosa, diretor de Estratégia e Marketing do J17, "um clique, aparentemente simples, pode se transformar em um problema sério, por um longo tempo, para o consumidor". O executivo alerta que "é preciso cuidado hoje em dia, pois estamos em um ambiente cada vez mais hiperconectado, no qual os criminosos digitais são muito rápidos e, a cada novidade tecnológica, eles se aproveitam para aplicar seus golpes". Um levantamento da Fortinet aponta que, no primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 314,8 bilhões de atividades maliciosas em meios digitais (tentativas de fraudes), o equivalente a 84% de todos os ataques na América Latina.
Perigo no celular
De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia 2025, realizada pela consultoria Deloitte, mais de 90% das transações financeiras no país são realizadas por canais digitais, totalizando 208 bilhões de movimentações em 2024. Desse total, 75% ocorreram via celular, o que reforça a necessidade de atenção redobrada à segurança dos dispositivos móveis.
Um documento da Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais identificou 41 tipos diferentes de delitos praticados com o uso de meios tecnológicos, que vão desde a chamada autofraude até extorsões, golpes sentimentais e sequestros virtuais. Em comum, todos exploram fragilidades humanas como desinformação, urgência, medo ou necessidade financeira.
Prevenção é o caminho
"Ao analisar esses dados, constatamos que as quadrilhas digitais se organizam e operam de forma impressionante", avalia João Nicastro, fundador e CEO do J17. Para ele, a atenção à segurança deve envolver não apenas consumidores, mas também empresas e fintechs. "A homologação pelo Banco Central do Brasil é um indicativo importante de qualidade e segurança, especialmente em um ambiente em que até instituições financeiras podem ser alvo de ataques", alerta.
Segundo Nicastro, a redução dos crimes passa por investimentos contínuos em tecnologia, sistemas robustos e educação digital. "Prevenção e informação são as principais armas contra esse tipo de crime", resume. "Aqui no J17, entendemos que somente com prevenção, sistemas robustos e educação é que vamos conseguir reduzir o número de casos. Assim, internamente, buscamos os melhores fornecedores de equipamentos, sistemas e investimos em treinamento dos times e clientes. Um dos nossos canais de informação é o J17 TALKS, nosso podcast, que foi reconhecido pelo Spotify como destaque em conteúdo de empreendedorismo, e o Blog do J17", destaca José Manuel.
Relatório Global
O Relatório de Riscos Globais 2025, do World Economic Forum, aponta os crimes digitais entre as cinco maiores preocupações para os próximos dois anos, atrás apenas de temas como desinformação, eventos climáticos severos e conflitos armados. O mesmo documento estima que o custo global com a criminalidade digital chegue a US$ 10,5 trilhões por ano até 2025, valor comparável ao da terceira maior economia do mundo.
Como não cair em golpes
A utilização de medidas simples pode reduzir os riscos dos usuários da tecnologia. Para evitar o roubo de dados bancários, por exemplo, eles devem usar senhas fortes, ativar a autenticação em dois fatores e não compartilhar informações pessoais. "Por mais que hoje em dia quase tudo esteja nas plataformas digitais, na dúvida o cliente deve procurar, urgente, sua agência e gerente", aconselha José Manuel Barbosa, do J17.
As "ofertas milagrosas", com produtos a preços impossíveis, também induzem a golpes, assim como falsas centrais de atendimento e promessas de rendas extras. "A primeira coisa a pensar é que não existe milagre. A gente precisa desconfiar, e dicas simples podem ajudar muito, como não clicar em links desconhecidos, não fornecer dados pessoais e evitar sites e perfis duvidosos em redes sociais". Entre outras recomendações, orienta José Manuel, "é preciso manter os dispositivos atualizados, utilizar o antivírus e conferir os endereços dos sites acessados".
Plataforma
Diante desse cenário, o governo brasileiro também intensificou ações. O Ministério da Justiça lançou a plataforma “Sofri um Golpe, e Agora?”, integrada ao Gov.br, para orientar vítimas de fraudes bancárias digitais.





