Entender como os processos geológicos e as mudanças no Rio Negro, ao longo dos anos, influenciaram na variedade de peixes miniaturas, espécies adultas que não ultrapassam 2,5 cm de comprimentos, foram a base de uma pesquisa científica apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida no município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus).
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O estudo utilizou dados da biologia molecular de peixes e analisou a evolução biológica e geológica da sedimentação nas depressões tectônicas, em Graben (conhecida popularmente como fossa ou vale tectônico), em áreas do Paraná do Ariaú, Cacau Pirêra e Cachoeira do Castanho, no município de Iranduba, além de depósitos de barras fluviais associadas aos canais dos rios Negro e Solimões.
Durante a pesquisa, foi descoberto que nas depressões tectônicas entre os rios Negro e Solimões, os peixes que ali vivem são diferentes dos peixes encontrados nos igarapés do Tupé e Tarumã-Mirim, ambos na margem esquerda do Rio Negro. Esses igarapés desenvolveram-se em áreas geológicas mais antigas do Neógeno, e têm substrato arenoso com extensa cobertura de detritos e folhiço, além de terem águas pretas e potencial de hidrogênio (pH) com valores próximos a 5.
Segundo o pesquisador, essas espécies devido ao seu tamanho têm pouca mobilidade como, por exemplo, quando comparadas às espécies grandes e migradoras como jaraqui e piraíba. Por terem baixa mobilidade e tamanho, grandes rios formam uma barreira para sua separação.
“Pelas análises genéticas pode-se estimar o tempo de separação das populações e identificar possíveis cenários passados. Até mesmo hipóteses dos rios atuando na separação das populações, uma vez isoladas pode ocorrer a formação de espécies novas”, disse Marcelo Rocha.
Outra descoberta foi que a espessura dos depósitos argilosos no Graben do Paraná do Ariaú pode ajudar na sua exploração pelas olarias da região, as quais usam a “lavra a céu aberto” para extrair a matéria prima, por meio de cavas rasas, que provocam impacto ambiental pela degradação de áreas superficiais.
Os sedimentos são de suma importância para o desenvolvimento socioeconômico do estado do Amazonas, pois fornecem matéria prima para o Polo Oleiro de Iranduba-Manacapuru, sendo utilizados na fabricação da cerâmica vermelha (principalmente telhas e tijolos).
Apoio Fapeam
Para o coordenador do projeto, o apoio da Fapeam é essencial para a difusão da ciência principalmente em relação com a infraestrutura de laboratórios e equipamentos de pesquisa.
“Uma pesquisa como esta requer uma grande quantidade de verba, pois os equipamentos usados para perfuração dos poços são caros, bem como o material para análises moleculares. Além disso, recebemos apoio para a infraestrutura de laboratórios, como a obtenção de novos equipamentos como lupas”, explicou.
Sobre o PPP
O Programa teve como objetivo apoiar a aquisição, instalação, modernização, ampliação ou recuperação da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nas instituições públicas e particulares, sem fins lucrativos, de ensino superior e/ou de pesquisa sediadas ou com unidades permanentes no Amazonas visando dar suporte à fixação de jovens pesquisadores e nucleação de novos grupos, em quaisquer áreas do conhecimento.
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Portfólio de Pesquisas
Essa e outras pesquisas coordenadas por pesquisadores e empreendedores de base tecnológica que atuam na capital e no interior do Amazonas, com o apoio do Governo do Estado, estão disponíveis no Portfólio de Investimentos e Resultados de Pesquisas do Amazonas – Vol.04, organizado pela Fapeam, sendo um total de 50 estudos já finalizados. Para saber mais, acesse o link a seguir: https://l1nk.dev/fapeam-portfolio-4
Fonte: ASCOM/FAPEAM
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