Marcelo D2 fala sobre novo álbum, gravado em lives

Marcelo D2 fala sobre novo álbum, gravado em lives

Música
O disco, gravado por meio da plataforma Twitch, conta com a participação de vários artistas brasileiros e do próprio público, que colaborou ativamente com o processo criativo

No dia 25 de maio, Marcelo D2 ligava a câmera de seu computador junto aos filhos para mostrar a preparação do Almoço dos cria. O que era para ser apenas um momento de descontração do artista ao lado da família e dos fãs, acabou se tornando o ponto de partida para uma produção inédita da carreira solo do rapper.

Assim tocam os meus tambores, disco gravado inteiramente através de lives, conta com a ilustre participação de vários outros músicos brasileiros e do próprio público, que opinou na produção em tempo real.

“Chegou um convite (da Twitch) para participar de um movimento que eles estão fazendo em direção à música. Eu comecei fazendo lives discotecando, cozinhando e batendo papo. Depois, tive a ideia de fazer esse movimento artístico. Foi tudo muito rápido, eu tive a ideia e logo em seguida já botei ela no ar”, explica o rapper sobre o processo de criação do álbum, que foi produzido à distância, desde as reuniões de equipe até o som das baterias e as participações especiais.

“Você sabe como fazer um álbum via livestreaming? Nem eu. Então vamo aprender junto”

O projeto teve início, então, no dia 4 de julho, com um manifesto de 12 horas ininterruptas de transmissão. A partir daí, foram 40 dias de trabalho e mais de 100 horas de live, com muita produção, ligações de artistas, criação de batidas, conversas com o público e composições, tudo isso ao vivo. “Estou exausto, mas a criação desse álbum foi uma coisa muito única. Acho que ninguém tinha feito isso antes, com um processo criativo tão aberto. Foi muito interessante”, conta o artista.

Entre os que participaram e colaboraram com a produção estão nomes como Baco Exu do Blues, Djonga, Criolo, Juçara Marçal, Maria Rita, Liniker e o duo Tropkillaz. Além dos vários artistas que integram o time de D2, o público foi fundamental na concretização do disco. Quem assistia às lives também podia opinar sobre o andamento do repertório e, em uma das músicas, as vozes dos fãs foram reunidas em um único coro, feito com áudios enviados por eles. “Até agora eu estou tentando entender o que aconteceu, foi tudo muito espontâneo e rápido”, relata.

Isolamento

A multiplicidade de jeitos de levar a quarentena é uma característica forte do período pelo qual estamos vivendo. Enquanto uns se exercitam ou inventam receitas mirabolantes, outros trabalham para levar entretenimento para os mais de 200 milhões de brasileiros em suas casas. “A galera que trabalha com música acaba sendo muito afetada. É um momento muito difícil, não só pela pandemia, mas por tudo o que está acontecendo no Brasil. Pessoas sensíveis acabam sentindo muito isso”, pontua o rapper, que elogia a forma como os artistas têm se reinventado: “A gente tem visto belos trabalhos por aí. Tem muita gente se desdobrando para se comunicar, para fazer arte”.

Neste cenário, Marcelo D2 conta que seu novo projeto tem uma característica única, que só foi possível devido ao isolamento: o intimismo.

“Não existiria esse disco se não fosse a quarentena, ele é fruto desse isolamento e, ao mesmo tempo, tem essa participação forte do público como nunca teve antes. Ele me aproximou muito da galera”, avalia o artista, que contou ainda com a ajuda da esposa e produtora Luiza, com quem canta duas músicas, e do filho Luca, de 18 anos. “Acabou que virou um projeto pra gente fazer com a família toda”, diz.

“Ficar em casa por quatro meses é uma loucura, tá ligado? Mas de uma certa maneira, esse projeto me salvou, porque eu estou trabalhando muito”, desabafa D2, que completa:
“Eu sou muito grato por ter a oportunidade de fazer um disco dentro de uma quarentena, um momento tão difícil para todo mundo. Esse disco me trouxe paz, me trouxe um lugar criativo que me deixou mais calmo pra passar por esse momento. E a motivação da galera é uma bênção. Só tenho a agradecer”.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

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