UnB aparece entre as melhores do mundo em sete disciplinas acadêmicas

UnB aparece entre as melhores do mundo em sete disciplinas acadêmicas

Educação
No ano passado, a instituição tinha sido listada em 10 matérias. No Brasil, a USP é a que mais aparece no ranking. Harvard foi a 1ª colocada mundial em 14 áreas

A Universidade Harvard foi a instituição listada mais vezes no ranking global de disciplinas acadêmicas de 2020 (Gras, na sigla em inglês), feito pela consultoria ShanghaiRanking. Diferentemente de outros levantamentos que classificam instituições de ensino de um modo geral, o estudo tem o objetivo de identificar as melhores faculdades do mundo em 54 disciplinas.

Harvard foi a primeira colocada em 14 matérias, cinco das quais dentro de ciências sociais, quatro em ciências médicas, três em engenharias e duas em ciências da vida. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) alcançou o pódio em seis matérias, cinco das quais dentro de engenharia.

Outros centros de ensino que alcançam o topo em mais de uma disciplina incluem a Universidade da Califórnia em Berkeley, a Universidade da Pensilvânia e a Universidade do Colorado em Boulder — essas três nos EUA —, a Universidade de Oxford (Reino Unido) e a Universidade Tecnológica Nanyang (Cingapura).

A Universidade de Paris-Saclay encabeça a tabela da disciplina de matemática em sua primeira aparição no ranking. Universidades dos Estados Unidos conquistaram o primeiro lugar em 31 áreas de estudo. As chinesas dominam 11 campos. O Reino Unido aparece no pódio em três matérias. Os outros primeiros lugares são ocupados por instituições europeias.

França, Suíça, Bélgica e Dinamarca alcançaram o topo em uma área cada; enquanto universidades da Holanda foram as primeiras colocadas em duas matérias. Cingapura foi destaque em três áreas. Nenhuma universidade da América Latina apareceu em primeiro lugar. O ranking global de disciplinas acadêmicas de 2020 (Gras) lista universidades que se destacam em 54 áreas de estudo, divididas entre cinco temáticas gerais (engenharias, ciências da natureza, ciências da vida, ciências médicas e ciências sociais).

No total, mais de 4 mil instituições de ensino foram ranqueadas. Só aparecer na lista já é um grande mérito e indica excelência em determinada área. Na América Latina, 396 instituições conseguiram entrar no ranking, das quais 227 são brasileiras. Instituições de São Paulo são responsáveis por 89 dessas posições. A Universidade de Brasília (UnB) entrou na lista das melhores em sete matérias.

Em 2019, a UnB tinha conseguido esse destaque em 10 matérias. As áreas em que a federal de Brasília deixou de aparecer foram economia, matemática, ciências agrárias e medicina clínica. Como novidade em relação a 2019, está a aparição da UnB como uma das melhores do mundo em biotecnologia.

Como se saiu a Universidade de Brasília?

A UnB tem sete aparições no ranking. Em duas disciplinas, a universidade foi considerada a segunda melhor do país: ciências da terra e ciências políticas. Em saúde pública (dentro de ciências médicas), a instituição se classificou na faixa entre a segunda e sexta posição nacionalmente. A Universidade de Brasília ficou atrás da USP, a primeira colocada nessas três matérias.

Em ciências políticas, a UnB e a USP foram as únicas instituições brasileiras a figurarem no ranking. Em ciências da terra, há quatro universidades federais na lista: além da USP (1ª) e da UnB (2ª), aparecem as federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Fluminense (UFF), empatadas entre a terceira e a quarta posição.

No cenário global, a melhor classificação da UnB foi na área de odontologia e ciências bucais, na qual ela ficou na faixa entre as 151 e as 200 melhores do mundo. Nessa área, no cenário nacional, a universidade ficou na faixa entre as 7 e as 15 melhores do Brasil.

Nas áreas de saúde pública (dentro de ciências médicas) e ciências veterinárias (englobada por ciências da vida), a federal de Brasília ficou na faixa 201-300. Nacionalmente, na primeira área, a UnB ficou entre a segunda e a sexta posição; enquanto em ciências veterinárias, classificou-se no intervalo entre o sétimo e o 23º lugar.

Em três disciplinas, a universidade foi listada no intervalo 301-400 globalmente: ciência política (dentro de ciências sociais), ciências da terra e ecologia (essas duas fazem parte de ciências da natureza). Já entre as brasileiras, nos dois primeiros campos, a UnB foi a segunda colocada; enquanto, em ecologia, ficou entre a quinta e a 11ª colocação.

Na faixa 401-500 do mundo, a UnB aparece com a disciplina biotecnologia (classificada dentro de engenharias). Entre as universidades nacionais, a federal de Brasília ficou entre a sexta e a 10ª posição nesse campo.

A reitora da UnB, Márcia Abrahão, não se surpreende com as disciplinas em que a universidade teve destaque. “Ciências da terra, ecologia e ciência política são áreas em que a universidade tem programas de pós-graduação de nível internacional, de pontuação entre 6 e 7 (sendo a maior nota é 7)”, diz.

“A geologia, que é ciências da terra, e ciências políticas têm programas nota 7, e ecologia é nota 6”, afirma ela, que é graduada, mestre e doutora em geologia. “Odontologia é uma área que a UnB é muito forte em todos os rankings internacionais, apesar de o programa de pós-graduação não ter uma nota tão alta. Já biotecnologia é uma área nova em termos de curso de graduação, mas na pós-graduação já tem histórico”, comenta.

Desafios e especificidades

A classificação, claro, tem variações conforme o critério adotado por cada ranking. No exterior, é comum que existam universidades aprofundadas em áreas específicas, como saúde, engenharia e negócios. No Brasil, especialmente entre as instituições públicas, o mais comum é que sejam centros de ensino gerais, com várias disciplinas.

É esse o caso da UnB. Questionada sobre se esse é um desafio maior, Márcia Abrahão observa que as instituições nacionais, especialmente públicas e federais, têm um objetivo diferente. “Nossas universidades têm uma missão muito importante de formação da sociedade. O Brasil é um país onde o percentual de jovens nas universidades é muito baixo e o de formados também”, analisa.

Ela esclarece, porém, que atuar em muitas áreas não é problema. “O problema é a volatilidade do financiamento para pesquisa. Agora mesmo no combate à pandemia de coronavírus, quais países se saíram melhor? Aqueles que estavam com pesquisa avançada, financiamento em dia, não tinham tido interrupção…”

Trata-se de um cenário diferente do nacional, em que foram aplicados cortes tanto no orçamento das universidades federais quanto nas bolsas de pesquisa de agências de fomento. “Como é que a pandemia pegou a gente? Com corte de bolsas de pós-graduação, alunos de pós-graduação tinham saído do Brasil e ido para o exterior, laboratórios estavam sendo fechados por falta de financiamento”, elenca Márcia.

Dessa maneira, é preciso olhar o contexto das universidades do Brasil e de outros países, especialmente os desenvolvidos e que investem pesado em educação, ciência e tecnologia, com esse cuidado. “A comparação precisa ser feita com muita cautela para não desmerecer o trabalho feito pelas universidades”, alerta a reitora da UnB.

Cenário latino e nacional

Na América Latina, 396 instituições conseguiram entrar no ranking, das quais 227 são brasileiras. Instituições de São Paulo são responsáveis por 89 dessas. A Universidade de São Paulo (USP) teve 40 aparições, conseguindo alguns destaques globalmente e, no cenário das faculdades brasileiras, a pior classificação da USP foi o terceiro lugar.

Foi considerada a 10ª melhor de todo o mundo em ciência e tecnologia de alimentos (atrás da Unicamp, que foi a oitava) e em odontologia e ciências bucais. Em ciências agrárias e ciências veterinárias, ficou no 23º e no 30º lugar, respectivamente. No cenário nacional, a USP ficou na primeira posição em 28 disciplinas em que foi listada. Em outras oito matérias, ficou empatada entre o primeiro e o segundo lugar. Foi a segunda colocada em duas matérias e em terceira em uma.

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) conquistou 22 lugares no ranking. E a Unesp (Universidade Estadual Paulista), 14. Conquistaram juntas 11 aparições no ranking as universidades federais do estado de São Paulo: a UFABC (1), a Unifesp (4) e a UFSCar (5). Instituições particulares do estado também aparecem na lista, incluindo a Universidade do Sagrado Coração (localizada em Bauru) e a Universidade de Guarulhos.

Entenda os critérios de classificação

Para serem incluídas no ranking, as universidades precisam ter um número mínimo de publicações fruto de pesquisa feitas entre 2014 e 2018. Esse valor base é diferente para cada área de estudo.

Os dados bibliométricos são coletados nas plataformas Web of Science (site que fornece acesso a vários bancos de dados que possibilitam análises abrangentes de citações para muitas disciplinas acadêmicas) e no InCites (ferramenta virtual de avaliação de pesquisa personalizada e baseada em citações, que permite realizar análises de produtividade científica e comparação de resultados mundialmente).

O levantamento leva em consideração critérios de qualidade da pesquisa, colaboração internacional e reconhecimentos acadêmicos. Entenda os indicadores:

Q1: O número de artigos publicados no Q1 Journal Impact Factor Quartil em uma disciplina acadêmica
CNCI: Impacto de citação normalizada da categoria do InCites para medir o impacto médio de trabalhos de autoria de uma instituição em uma disciplina acadêmica
IC: A porcentagem de trabalhos de coautoria internacional de uma instituição em uma disciplina acadêmica
Top: O número de artigos publicados nos principais periódicos e conferências relativos a uma disciplina acadêmica
Award: O número total de funcionários de uma instituição que ganhou um prêmio significativo em uma disciplina acadêmica (entre as premiações consideradas estão as de altíssimo nível, como os prêmios Nobel)

Sobre o estudo

Os rankings de Xangai são publicados desde 2003. Até 2008, eram feitos pela Universidade Jiao Tong de Xangai. Desde 2009, os estudos ficam a cargo da ShanghaiRanking Consultancy, organização independente que se dedica à pesquisa sobre inteligência e consultoria no ensino superior. Saiba mais no site.

Fonte: Correio Braziliense

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