Iniciação científica e de desenvolvimento tecnológico despertam novos talentos para a pesquisa

Iniciação científica e de desenvolvimento tecnológico despertam novos talentos para a pesquisa

Ciência e Tecnologia

A Ciência e suas descobertas fascinam pessoas de várias idades, culturas e origens, mas a decisão de seguir a carreira científica para muitos se dá na fase universitária. No Brasil, o programa de Iniciação Científica tem obtido sucesso na tarefa de despertar jovens talentos e formar novos pesquisadores.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) também colhe frutos dessas novas safras de potenciais pesquisadores, e todos os anos atrai estudantes de graduação de várias instituições de Manaus, que são orientados por pesquisadores do Inpa. Neste ano, seguem abertos até o dia 27 de abril os editais para seleção de bolsistas para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic e Paic) e para o Programa Institucional de Bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti).

Para a trajetória profissional da pesquisadora Fernanda Werneck, a iniciação científica foi “essencial”. Werneck fez graduação em Ciências Biológicas e Mestrado em Ecologia pela Universidade de Brasília e Doutorado em Biologia Integrativa pela Brigham Young University (EUA). É curadora das Coleções de Anfíbios e Répteis do Inpa, vencedora do Prêmio Internacional Rising Talents da L´Oréal-Unesco For Women in Science de 2017 e do prêmio L´Oréal-Unesco-ABC Para Mulheres na Ciência de 2016.

“Fui bolsista de iniciação científica trabalhando com herpetofauna desde o primeiro ano da universidade. Importantes aspectos das minhas bases científicas e acadêmicas foram fundamentadas durante meus anos de iniciação científica”, conta Werneck, que é professora em programas de pós-graduação do Inpa e da Ufam.

Um dos especialistas que mais entendem dos peixes amazônicos no mundo, o pesquisador Jansen Zuanon, conta que na sua época de estudante na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho desconhecia existir bolsa de iniciação científica, mas aproveitou outras importantes oportunidades acadêmicas, que mudaram a sua vida. Fez estágio no Departamento de Zoologia da Universidade e participou de três edições Projeto Rondon (1983, 84 e 85), fazendo estágios de 40 a 45 dias no campus avançado de Humaitá (município a 591 km em linha reta de Manaus).

“Embora eu não tenha participado de um programa formal de iniciação científica, foram essas oportunidades de estágio e de treinamento que definiram os rumos da minha vida, tanto do ponto de vista profissional como do pessoal. A oportunidade de participar como estagiário de um projeto de pesquisas na Amazônia me trouxe para o Mestrado no Inpa, onde trabalho há 35 anos. Então, foi muito importante pra mim”, relembra Zuanon. O pesquisador orienta alunos desde a Iniciação Científica até o Doutorado.

Fazer pesquisa e orientar em tempos de pandemia trouxe desafios extras. Adaptar projetos, planos de trabalhos e rotina foi a solução, quando possível, para muitos casos. No Inpa, depois que começou a pandemia, os alunos puderam usar os laboratórios em alguns meses, respeitando o cronograma de retorno presencial do Instituto e as medidas sanitárias, de biossegurança e de prevenção ao novo coronavírus.

“Os desafios são imensos. O trabalho fica prejudicado, pois no nosso caso é muito experimental. Apenas depois da obtenção dos dados no laboratório é que vem o trabalho mental de análises dos dados. Ainda assim vale a pena. E quando o laboratório não pode ser utilizado, buscamos que os estudantes usem o tempo em levantamentos bibliográficos e estudos sobre o tema”, contou a pesquisadora Cecília Nunez, líder do grupo de pesquisa Sociedade-Natureza: bioprospecção, biotecnologia e dinâmicas econômicas e sociais.

Nunez é formada em Química com Mestrado e Doutorado na mesma área, atuando em bioprospecção de plantas e microrganismos, e com mais de 50 alunos orientados desde a época em que era doutoranda.  A pesquisadora também fez iniciação científica em um instituto de pesquisa e estágio numa indústria quando era universitária. 

Seleção de bolsistas

Nos Editais da Iniciação Científica e de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti) o público-alvo é formado por estudantes de graduação, devidamente matriculados, em Instituições de Ensino Superior, públicas e privadas, em cursos compatíveis com as áreas de atuação do Inpa. Os alunos devem estar entre o 2º e o antepenúltimo semestre da faculdade e ter coeficiente maior que seis (6,0). Todos os detalhes podem ser conferidos nos editais.

A bolsa terá duração de 12 meses, com início no segundo semestre deste ano, com orientação do realizada por pesquisador do Inpa. O valor mensal será pago de acordo com as tabelas das Instituições financiadoras. A Iniciação Científica é pelo CNPq (Pibic) e Fapeam (Paic), enquanto as bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti) são pagas pelo CNPq.  Atualmente o valor é de R$ 400.

As inscrições serão realizadas exclusivamente pela internet, por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI – https://sei.mct.gov.br). O período de inscrição vai até as 23h59 do dia 27 de abril.

Serão 12 bolsas de Pibiti. O número para a Iniciação Científica vai depender da liberação de cotas das agências de fomento (CNPq e Fapeam). Em 2020, foram 216 no total.

O candidato interessado deve buscar um orientador entre os grupos de pesquisas do Inpa, de seu interesse (http://pesquisa.inpa.gov.br/index.php/grupos-de-pesquisa). Os orientadores irão selecionar seus candidatos e darão continuidade ao processo de submissão da proposta junto à Divisão de Apoio Técnico (Didat/Cocap/Inpa). O atendimento será remoto.

Iniciação Científica

O Pibic tem por objetivo proporcionar ao estudante de graduação a aprendizagem de técnicas e métodos científicos, bem como estimular o desenvolvimento do pensar científico e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas de pesquisa.

As áreas e subáreas do conhecimento atendidas pela Iniciação Científica do Inpa neste edital são: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias (Exatas e Engenharias, Clima e Ambiente, Química de Produtos Naturais); Ciências Biológicas (Botânica, Saúde, Ecologia, Genética, Zoologia I – vertebrados e Zoologia II-invertebrados); Ciências Agrárias: (Agronomia e Recursos Florestais); Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (Educação Ambiental, Ciências Humanas e Sociais) e Multidisciplinar.

Pibiti

O Pibiti é o programa de iniciação do CNPq que tem como objetivo estimular os estudantes do ensino superior nas atividades, metodologias, conhecimentos e práticas próprias ao desenvolvimento tecnológico e processos de inovação.

As áreas contempladas pelo programa são: Tecnologias Estratégicas (Espacial, Nuclear, Cibernética, e Segurança Pública e de Fronteira); Tecnologias Habilitadoras (Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Materiais Avançados, Biotecnologia e Nanotecnologia); Tecnologias de Produção (Indústria, Agronegócio, Comunicações, Infraestrutura e Serviços); Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável (Cidades Inteligentes e Sustentáveis, Energias Renováveis, Bioeconomia, Tratamento e Reciclagem de Resíduos Sólidos, Tratamento de Poluição, Monitoramento, prevenção e recuperação de desastres naturais e ambientais, e Preservação Ambiental) e Tecnologias para Qualidade de Vida (Saúde, Saneamento Básico, Segurança Hídrica e Tecnologias Assistivas).

EDITAL DIDAT/COCAP Nº 001/2021 – PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO INPA (PIBIC/CNPq e PAIC/FAPEAM)

EDITAL DIDAT/COCAP Nº 002/2021 – PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E INOVAÇÃO DO INPA (PIBITI/CNPq)

Fonte: ASCOM/INPA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *