Dia da Natureza: brasilienses ressaltam a importância da data

Dia da Natureza: brasilienses ressaltam a importância da data

Amazônia

Toda e qualquer ação do ser humano tem impacto direto no meio ambiente, seja negativo ou positivo. Desde destruição de habitats até restauração de áreas, o homem constantemente influencia a natureza. Para incentivar a reflexão a respeito das ações humanas em relação ao ambiente, comemora-se, hoje, o Dia da Natureza. A data foi escolhida em homenagem a São Francisco de Assis, frade católico que inspirou outras pessoas pelo seu amor à natureza e, principalmente, pelos animais.

Com pés descalços e hábitos remendados, Francisco perambulava pela cidadezinha italiana de Assis, a 184km de Roma, e arredores. Em meio a uma sociedade que priorizava a riqueza e ostentação, ele preferia reverenciar a perfeição da natureza, observar o voo dos pássaros e dormir sob as estrelas. A natureza era sua casa sagrada. Mesmo naquela época, ele compreendia a importância da preservação do meio ambiente e a nossa dependência com a mãe natureza.

A exemplo do santo, a professora Natanry Ludovico Osorio, 81 anos, cultiva uma paixão que vem desde infância. “A meu ver, o cuidado que temos com a natureza é o cuidado com nós mesmos. Nós somos a natureza. Onde está o oxigênio que respiramos, a vida, a água que bebemos? Está nela. É por isso que digo que a natureza, para mim, é uma das faces visíveis de Deus. Daí a minha relação emocional e afetiva com a natureza. A natureza é vida. Eu não tenho a menor dúvida disso, por isso a trato com o maior respeito, como se trata o sagrado”, destaca a professora.

Ela lembra que a relação com o ambiente iniciou-se nas primeiras fases da vida. “Eu passava as minhas férias na fazenda, e tinha uma relação muito próxima com a natureza. Comecei a me preocupar com o cerrado ainda criança. Quando cheguei a Brasília via as pessoas dizendo que aqui não tinha árvores, que o cerrado era feio. Foi quando comecei a me aprofundar no assunto e via o quanto ele é importante e belo”, ressalta.

Moradora do Lago Sul, Natanry exerce sua cidadania em defesa da natureza na região. Ativa da Associação dos Moradores Lindeiros e Amigos do Canjerana (Amlac), ela explica que a ligação com a área de conservação foi um processo longo. “O córrego Canjerana, hoje, é uma unidade de conservação restritiva e transformou-se, em 2019, com a recategorização, em um refúgio de vida silvestre. Eu sou limítrofe do Canjerana e, desde 1998, a nossa preocupação é muito grande”, afirma.

“Havia ocupantes irregulares no Canjerana e com o apoio das pessoas, conseguimos retirá-los e transferi-los para outros locais. Na época, a administração recuperou a área degradada”, lembra Natanry. A professora explica que após a luta dos moradores da região pelo respeito com o ambiente, as relações com a natureza mudaram. “Aqui o olhar precisa ser atento o tempo todo e percebemos que os moradores do Lago Sul são muito preocupados. Só para ter uma ideia, temos nove unidades de conservação inseridas em área urbana. Não tem como não amar e preservar. Aqui, estão ninhais de tucanos e bem-te-vis. Até lobos-guarás encontramos. É um paraíso”, comemora.

Apesar da consciência de muitos moradores terem se transformado, a ativista diz que ainda há um caminho longo a ser percorrido. “Durante a pandemia, a natureza se revelou. Assim como na fase em que as pessoas ficaram recolhidas, vimos rios e lagos limpos. Isso é uma demonstração do quanto a humanidade agride e prejudica a natureza. E, ao fazer isso, está agredindo a si próprio em primeiro lugar”, reforça Natanry.

Dependência

É da natureza que retiramos os recursos necessários para a nossa sobrevivência, tais como alimento e água, além de fornecer matérias-primas importantes para o estabelecimento do homem no planeta. Mas o impacto desse homem tem abalado a natureza fortemente nos últimos tempos, conforme explica o ecologista e escritor Nicolas Behr. “O ser humano impacta muito o meio ambiente. Fazemos isso tanto, que já estamos colocando em risco a nossa própria sobrevivência. O impacto das ações humanas no ambiente são enormes. Um exemplo são as mudanças climáticas, que é uma consequência da atividade industrial”, explica.

De acordo com ele, são poucas as ações que não prejudicam a natureza. “Todas têm um impacto, seja maior ou menor. O que precisamos fazer é reduzir esse impacto e compensar. O importante é que esses impactos, que são inexoráveis da nossa atividade. sejam minimizados com compensações. No futuro, devemos começar a cobrar ações, para tornar (o planeta) sustentável de verdade”, reforça.

No DF, as consequências dos impactos do homem têm surgido cada vez mais. “Tem uma frase que diz que a natureza não se defende, ela se vinga. Já temos visto essas reações. O recurso renovável mais escasso na região é a água. É visível a expansão urbana sob nascentes e aquíferos”, afirma. De acordo com Nicolas, é preciso mudança de consciência. “O maior desafio é transformar intenção em gesto. A redução dos impactos no ambiente do DF virão com a mudança de consciência. É preciso uma responsabilidade ecológica maior”, ressalta. Para a data especial ele reforça: “É importante que lembremos da natureza todos os dias, não somente hoje”.

A relação de dependência entre o ser humano e a natureza é o que move a paixão da aposentada Margi Moss, 66. “É bom lembrar que nós fazemos parte da natureza. Somos apenas mais uma espécie e nós dependemos totalmente dela para nossa sobrevivência. Dela vem nossa água, nosso alimento, nosso ar. Como é ela que fornece tudo isso para nós, faz sentido cuidar bem dela”, acredita. “Ela significa vida na Terra. Destruir a natureza é trabalhar para nossa própria destruição. O clima está mostrando isso claramente, a toda hora com eventos extremos ao redor do planeta, e com o inegável aumento de calor”, completa.

Nascida no Quênia, Margi se mudou para a capital federal e, desde então, busca ajudar o meio ambiente. “Gosto muito daqui. As paisagens, as cores na seca, o céu imenso. Tudo isso me lembra minha infância. O cerrado é apaixonante — forte, resistente, persistente e extremamente bem-adaptado ao clima seco, aos solos menos férteis”, explica. Moradora do Lago Sul, a aposentada também tornou-se ativista na Amlac, com o intuito de revitalizar o Refúgio de Vida Silvestre do córrego Canjerana.

“Uma das frentes é justamente a vegetação. Há muitas espécies de plantas e árvores invasoras, como pinus, eucalipto, capim-colonião. Se não tivermos um controle, esse refúgio vai terminar com a cara do estacionamento do Jardim Botânico — uma plantação sombria de pinus que, com suas sementes, contaminam o cerrado em volta. É um problema lá, como no Canjerana, que se torna mais grave a cada ano que passa”, afirma Margi.

Para a aposentada, a mudança começa dentro de casa. “Os nossos jardins nos oferecerem beleza, serenidade, paz. Quem tem árvores no jardim sente na pele a diferença que uma sombra faz. Meu jardim é limítrofe com a mata do Canjerana. Às vezes, a temperatura ao lado da mata é 3 graus menos do que no gramado a poucos metros de distância. Plantei árvores nativas como jatobá, xixá, baru, aroeira. Como sou observadora de aves também, escolhi plantas que atraem beija-flores, por exemplo”, diz.

A mudança, deve começar no quintal de casa. Para o Dia da Natureza, Margi deixa o recado: “Pense no futuro que você vai deixar para seus filhos e netos. Plante árvores, preserve a natureza. Você mesmo não curte visitar uma cachoeira, caminhar num parque? Então, zele para que ainda tenha uma natureza exuberante para eles”, completa.

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Medidas para reduzir os impactos negativos à natureza
Separar adequadamente o lixo que pode ser reciclado para que possa ser recolhido pela coleta seletiva.
Não desperdiçar água e energia.
Evitar o consumo excessivo de carne, pois a produção causa vários danos ambientais, inclusive o gasto excessivo de água.
Optar sempre por produtos produzidos por meio da agricultura orgânica, que são livres de agrotóxicos.
Sempre que possível, optar por não utilizar automóveis. Dê preferência a bicicletas, transporte público ou até mesmo a uma caminhada.
Não cooperar com a venda e tráfico ilegal de espécies da nossa fauna e flora.
Observar e optar sempre por comprar produtos de empresas que estão envolvidas com programas de responsabilidade socioambiental.

Fonte: CORREIO BRASILIENSE

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