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Jared Leto é acusado de agressão sexual por dez mulheres em documentário

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

Documentário da BBC reúne relatos de dez mulheres contra o ator e músico Jared Leto -quatro delas eram menores de idade na época das ocorrências.

Uma das mulheres afirma que Leto a agrediu sexualmente em um banheiro de motel em 2002, quando ela tinha 17 anos. Identificada como Isabel, ela diz que o conheceu na loja em que trabalhava em Las Vegas e foi convidada para o local onde ele estava hospedado. Ela afirma que continuou lá após descobrir ser um “motel sujo e nojento” porque acreditou que os dois iriam a um outro local. Então, Leto a puxou para o box do banheiro, a beijou e usou a mão dela para se masturbar. Quando Isabel disse que queria ir embora, ele saiu do quarto, avaliou se havia alguém passando e só então permitiu que ela saísse do quarto.

Outra mulher, identificada como Clara, relata que Leto pediu que ela o chamasse de “papai” durante o sexo. “Ele queria que eu fingisse ser ‘uma garotinha’ ou ‘a garotinha dele’”, relembra. Ela afirma que informou Leto que tinha 17 anos e que estava abaixo da idade legal de consentimento no estado. O ator, que na época tinha 34 anos, teria minimizado a conversa.

Cinco mulheres dizem ter recebido ligações sexualmente explícitas do cantor. Uma delas, identificada com Etta, afirma que tinha 16 anos e o conheceu numa agência de modelos, quando estava acompanhada da mãe. Ele pegou o contato das duas sob o pretexto de convidá-las para uma festa do Oscar, mas em seguida passou a ligar para a menor de idade perguntando se ela era virgem, se tinha fetiches e mencionando fazer sexo com ela. Em seguida, Etta recebeu um acordo de confidencialidade do advogado do cantor, mas se recusou a assinar o documento (ao qual a BBC teve acesso).

Outra denunciante, Taylor, diz que Leto fez comentários sexuais sobre seus seios quando ela tinha 14 anos. Na época, ela ainda usava aparelho nos dentes e era fã da banda Thirty Seconds to Mars, da qual ele é vocalista. Em um evento de autógrafos, ela pediu que ele autografasse a camiseta que ela estava vestindo. Ele, então, autografou a parte que cobria os seios da adolescente e disse: “Belos peitos”. A mãe dela o confrontou sobre o comentário, ao que Leto respondeu: “Ainda são belos peitos”. Taylor relembra que Leto ainda falou para um segurança levá-la ao camarim, sem perguntar se ela queria.

Uma mulher identificada como Alex diz que o ator ameaçou agredi-la sexualmente quando ela tinha 19 anos. Ela estava no camarim de um show de Leto quando uma assistente dele a convidou para uma festa no hotel dele — mas, ao chegar no local, percebeu que era a única convidada. Ela pediu um carregador de celular ou dinheiro para um táxi, e o cantor negou ambos os pedidos. Ela, então, disse que dormiria na poltrona do quarto, ao que Leto teria respondido que ela acordaria “com um pau no c*”. Alex relata que, nesse momento, percebeu que não estava segura e foi embora.

Os relatos descritos no documentário se referem a interações que teriam ocorrido entre 2002 e 2016. Nove das dez mulheres falam publicamente sobre as acusações pela primeira vez.

RELATOS FORAM CORROBORADOS

A emissora afirma ter confirmado parte dos relatos com amigos e familiares que souberam dos encontros na época. Em alguns casos, também analisou fotos e mensagens que apoiariam as versões apresentadas.

Dois homens que trabalharam com a banda Thirty Seconds to Mars também participaram da produção. Eles dizem que funcionários se sentiam desconfortáveis com as interações de Leto com adolescentes, que incluiriam convites para o camarim e para uma casa onde ele gravava.

Representantes de Jared Leto foram procurados pela BBC, mas não comentaram as acusações.

COMO DENUNCIAR A VIOLÊNCIA SEXUAL

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.

Fonte: Jornal de Brasília

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