Manaus será uma das principais referências de uma pesquisa internacional voltada ao enfrentamento do calor urbano em cidades tropicais. O estudo, desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, terá a participação da Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).
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A pesquisa pretende analisar indicadores de sustentabilidade do ambiente construído em escala predial e urbana, além dos impactos das condições térmicas na saúde e no bem-estar. Os dados coletados na capital serão utilizados na construção de modelos capazes de orientar futuras estratégias de planejamento urbano.
Em reunião realizada na sede do Implurb, equipes técnicas das instituições discutiram o desenvolvimento do estudo e definiram um edifício localizado no Parque Mosaico, no Tarumã, zona Oeste, como um dos pontos de coleta. O monitoramento será realizado em diferentes áreas de Manaus para identificar como fatores urbanos contribuem para a formação das chamadas ilhas de calor.
O diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, afirmou que a participação do instituto reforça a adoção de decisões baseadas em evidências científicas e destacou o potencial dos dados para futuras políticas públicas.
“Os dados produzidos aqui poderão orientar futuras decisões sobre o desenvolvimento urbano da cidade”, afirmou.
Modelo para reduzir o calor
A pesquisa é conduzida pela arquiteta equatoriana Sylvia Jiménez Riofrío, doutoranda do Departamento de Estudos Urbanos e Planejamento do MIT e pesquisadora do Centro Norman B. Leventhal para Urbanismo Avançado (Lcau), com apoio do programa Fulbright.
Especialista em conforto térmico, sustentabilidade urbana e saúde ambiental, Sylvia desenvolve um modelo físico-matemático para avaliar estratégias de redução do calor urbano. Em Manaus, o estudo analisará sistemas de dupla cobertura e utilizará os dados coletados na capital para calibrar e validar o modelo.
Segundo a pesquisadora, a participação de Manaus é estratégica por sua importância entre as cidades amazônicas e pelo potencial de aplicação dos resultados em outros municípios da região e da América Latina.
Dados para o planejamento
A Ufam participa da pesquisa por meio do Grupo de Pesquisa Arquitetura Moderna na Amazônia (Grupo AMA), coordenado pelo arquiteto Marcos Cereto. Para ele, a cooperação entre universidade, poder público e instituições internacionais poderá transformar os resultados científicos em subsídios para políticas públicas e futuras atualizações da legislação urbanística.
O vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, destacou que o levantamento permitirá identificar como o calor se distribui em diferentes regiões da cidade e produzir informações para orientar diretrizes relacionadas ao conforto térmico, uso do solo e qualidade dos espaços urbanos.
Além da sede do Implurb e do edifício no Parque Mosaico, outros pontos de Manaus integrarão a rede de monitoramento. Os dados serão utilizados para compreender o comportamento térmico de diferentes ambientes e avaliar soluções capazes de reduzir temperaturas, melhorar o conforto ambiental e diminuir o consumo de energia nas edificações.
Com a participação no estudo, Manaus contribuirá para o desenvolvimento de estratégias de planejamento urbano voltadas às condições climáticas da Amazônia, com possibilidade de aplicação dos resultados em outras cidades que enfrentam desafios relacionados ao calor urbano e às mudanças climáticas.
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