Pular para o conteúdo principal

Amazônia Sem Fronteira

Notícias Corporativas

Varejo nacional adota dados contra gigantes globais

Pressionadas por concorrentes internacionais de ciclo rápido, marcas brasileiras investem em arquitetura de decisão para estancar perdas antes da chegada do produto às lojas

Varejo nacional adota dados contra gigantes globais
Varejo nacional adota dados contra gigantes globais

O varejo de moda brasileiro enfrenta um cenário de margens comprimidas devido ao avanço de plataformas globais de baixo custo, volatilidade de consumo e custos de capital de giro. Diante desse panorama, análises setoriais indicam que a rentabilidade dos negócios passou a ser definida na cadeia de suprimentos, antes mesmo de os produtos chegarem ao caixa. Falhas no dimensionamento de coleções, erros na distribuição de grades de tamanhos e respostas tardias aos sinais de demanda respondem pelas principais perdas de receita no setor.

A agenda de produtividade migrou de temas tradicionais, como expansão física, negociação com fornecedores e eficiência logística tradicional, para focar na precisão das decisões que conectam estoque, canais e consumidor. A competição com players internacionais de alta velocidade e o forte apelo digital transformaram a gestão interna analítica em um elemento mandatório para a sustentabilidade financeira das empresas nacionais.

Custo operacional

O estoque inadequado gera impactos financeiros em duas frentes: perda de vendas por desabastecimento ou erosão de margem por remarcações excessivas para desovar excedentes. A escassez e o excesso costumam coexistir em uma mesma rede de lojas, distribuídos de forma assimétrica. Enquanto uma filial sofre com a ruptura de tamanhos de alta rotatividade, outra acumula o mesmo item sem demanda local.

De acordo com Jean Cara, Diretor de Projetos na XCELiS, o equilíbrio depende de um planejamento estruturado desde a concepção do ciclo. "A margem não é perdida apenas no desconto final. Ela começa a ser definida nas decisões de coleção, compra, alocação e reposição", explica o executivo. O diretor ressalta que a agilidade do processo não significa acelerar todas as etapas indistintamente, mas sim criar flexibilidade operacional. "Agilidade não é acelerar tudo. É saber o que decidir cedo, o que testar e o que manter flexível para reagir dentro da estação".

Os três vetores

Para viabilizar uma operação financeiramente eficiente, o planejamento de produtos deve basear-se na calibração rigorosa de sortimento, profundidade e alocação. No sortimento, cada categoria precisa de papéis claros, equilibrando itens básicos de alto giro, novidades e produtos de imagem, evitando que o excesso de variedade dilua a exposição de marca e fragmente as compras.

Na visão de Jean Cara, a profundidade exige regras distintas para produtos previsíveis e apostas de moda, preservando capital para reações ao longo da temporada. "Uma gestão eficiente de profundidade protege a empresa contra a volatilidade, permitindo manter capital disponível para investimentos em reabastecimentos pontuais, baseados no comportamento real do consumidor", afirma.

Completando o ciclo, a alocação nas lojas deve seguir a lógica de retorno financeiro por metro quadrado, visto que o espaço físico é um ativo limitado. A inteligência geográfica impede o acúmulo de capital parado e orienta o aprendizado pós-campanha. "O monitoramento revela onde ocorreram as rupturas e quais hipóteses se confirmaram, transformando o histórico operacional no principal insumo para mitigar riscos nos próximos lançamentos".

Arquitetura e o fator geográfico

A introdução de ferramentas de analytics e algoritmos de Inteligência Artificial ganha relevância quando aplicada ao refinamento de processos práticos, como compras calibradas, transferências interfiliais e remarcações oportunas. A tecnologia atua como suporte técnico para a tomada de decisão humana, retirando o trabalho repetitivo da rotina e direcionando os gestores para o tratamento de exceções operacionais.

"O valor da tecnologia não está no algoritmo em si, mas na decisão que ele melhora", pontua Jean. O executivo argumenta que a operação em um país continental como o Brasil adiciona complexidades climáticas e de renda que exigem a adaptação de conceitos globais à realidade local. "Benchmark não é copiar o que funciona fora. É traduzir princípios globais para a complexidade local", conclui.

Sobre a XCELiS Consulting

A XCELiS Consulting é uma empresa de consultoria voltada para a transformação digital operacional, com atuação em supply chain, arquitetura de dados e implementação de Inteligência Artificial em ambientes de produção corporativa.

Mais Notícias