Aos 28 anos, Rebecca acredita que a evolução artística faz parte da trajetória de qualquer músico e defende que artistas tenham liberdade para experimentar novos caminhos, mesmo quando essas mudanças geram resistência do público. Durante um editorial de moda produzido em Londres, a cantora comentou a nova fase de Anitta, marcada pelo álbum Equilibrivm II, e afirmou enxergar semelhanças entre a transformação da colega e o momento que vive em sua própria carreira.
O ensaio foi fotografado, maquiado e dirigido criativamente por Carlos Moura e buscou traduzir a nova etapa da artista, explorando uma estética diferente sem deixar de lado elementos que marcaram sua identidade ao longo dos anos.
Para Rebecca, é natural que mudanças despertem estranhamento entre os fãs, principalmente quando existe uma imagem consolidada do artista. Ainda assim, ela acredita que permanecer preso a uma única versão de si pode limitar a criatividade.
“Quando você muda, existe sempre o risco de algumas pessoas não entenderem imediatamente. Mas um artista que nunca se permite mudar acaba ficando preso à própria imagem. Eu acredito que uma artista pode se reinventar quantas vezes quiser”, afirma.
Segundo a cantora, a decisão de Anitta de explorar novas sonoridades e referências demonstra que uma carreira consolidada não deve impedir novas experiências, mesmo que elas dividam opiniões.
Rebecca conta que vive um processo semelhante com o projeto Perigoza, que tem ampliado sua atuação para além do funk e da imagem construída como MC.
“Algumas artistas sentem que o ‘MC’ passou a limitar a percepção do público sobre quem elas são e sobre o que podem construir artisticamente. Hoje, mais do que um título, quero que as pessoas reconheçam a Rebecca como artista, cantora e compositora, com liberdade para transitar por diferentes universos”, explica.
Ela reforça que prefere seguir fiel às próprias escolhas do que manter uma imagem apenas para atender às expectativas do público.
“Prefiro correr o risco de dividir opiniões sendo verdadeira do que agradar todo mundo sendo uma versão de mim que já não existe.”
A transformação também se reflete na identidade visual apresentada no editorial. Responsável pela direção criativa do projeto, Carlos Moura explica que o objetivo foi revelar novas camadas da artista sem romper com sua essência.
“Quando uma artista já tem uma imagem consolidada, o desafio não é começar do zero. É entender o que já existe e descobrir o que ainda pode ser explorado”, afirma.
Para ele, a evolução da imagem acompanha naturalmente o amadurecimento profissional.
“Eu não acredito que para criar uma nova imagem seja necessário abandonar aquilo que o público já reconhece. Pelo contrário: é justamente a partir desses códigos que conseguimos construir uma evolução. A imagem também precisa acompanhar a carreira. Uma artista muda, amadurece, experimenta novas músicas, novos estilos e novas fases. Se a carreira está evoluindo, a comunicação visual também precisa acompanhar esse movimento”, completa.
Rebecca afirma que o trabalho permitiu apresentar uma nova faceta sem abrir mão da personalidade que sempre marcou sua trajetória.
“Foi muito especial. Eu gosto quando um fotógrafo consegue enxergar a mulher e a artista por trás da imagem, e senti que o Carlos captou justamente a fase que estou vivendo. Foi um ensaio em que me senti livre para mostrar minha sensualidade, minha força e também uma versão diferente de mim”, diz.
Ao refletir sobre sua carreira, a cantora também destaca que mulheres ainda enfrentam cobranças maiores quando decidem mudar de imagem ou de estilo musical.
“Durante muito tempo colocaram prazo de validade principalmente nas mulheres, pela idade, pelo corpo, pela aparência e pela fase da carreira. O funk também sofreu muito com esse preconceito. Hoje tenho uma cabeça muito diferente de quando comecei e não quero esconder isso. Mudar não apaga o que construí, apenas mostra que ainda tenho muito para apresentar”, conclui.
Fonte: Jornal de Brasília





