Usina na Ucrânia é alvo de disputas entre as Forças Armadas de Kiev e Moscou, levando temor ao mundo de uma nova Chernobyl
As tensões ao redor da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, dominaram o noticiário internacional na última semana. A instalação no sul da Ucrânia é controlada atualmente pelas Forças Armadas da Rússia, mas sofre constantes ataques em uma região próxima aos reatores. Kiev e Moscou negam a autoria dos bombardeios.
A severa disputa entre os exércitos levou a usina a perder todas as fases de energia que levam eletrecidade à rede ucraniana. Além do risco bélico, funcionários do local dizem que trabalham sobre a pressão dos fuzis russos a todo instante.
Temendo uma nova Chernobyl, líderes internacionais exigem que a Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) vá até Zaporizhzhia para ver as reais condições da instalação nuclear.
Em entrevista ao R7, o professor de relações internacionais da Facamp (Faculdades de Campinas) James Onnig conta que desacredita em um ataque intencional para destruir a usina, tanto por parte russa quanto por tropas ucranianas.
“Os russos sabem muito bem o risco que sofrem, a Ucrânia é vizinha da Rússia”, explica Onnig. “Não acredito que haja uma intencionalidade de destruição da usina. A proximidade da Rússia é muito grande e fatalmente todos seriam afetados”.
O professor da Facamp também destaca que a tecnologia implementada na construção e manutenção da usina de Zaporizhzhia é bem diferente das presentes nas instalações de Chernobyl, desastre nuclear mais conhecido da história e que aconteceu na própria Ucrânia.
“[Zaporizhzhia] é mais recente, foi construída em meados dos anos 1980. Chernobyl era um pouco mais velha, havia falta de manutenção. Essa já está sobre atenção há muito tempo, ou seja, o governo ucraniano depende muito dela.”
O historiador e especialista em Rússia Rodrigo Ianhez reforça que para atingir o reator da usina de Zaporizhzhia é preciso repetidos ataques intencionais que destruam fisicamente a estrutura que protege os reatores.
“Estão ocorrendo [ataques] na região da usina, mas primeiro que um ataque dessa natureza, que consiga chegar ao reator, ele precisa ser voltado a atingir repetidamente o edifício”, conta Ianhez ao R7. “Existe um grande escudo de concreto que as usinas geralmente colocam para prevenir explosões como as que ocorreram em Chernobyl”.
Assim como Onnig, Ianhez também é cético em relação a um ataque intencional para a destruição da usina, que produz cerca de 20% da energia elétrica consumida na Ucrânia.
“Um ataque dessa natureza iria atingir, inevitavelmente, tanto a Rússia quanto a Ucrânia. Se Chernobyl, que possuía um reator menor, já causou um dano que está sendo pago até hoje por Belarus, Rússia e Ucrânia, […] um acidente dessa natureza seria uma tragédia […] para o mundo inteiro, caso atinja os oceanos.”
Fonte: R7.COM





