Mais do que facilitar o pagamento de tarifas, a integração entre os sistemas de pedágio Free Flow e o aplicativo CNH do Brasil representa um avanço importante na digitalização da mobilidade rodoviária e na transparência e conveniência para usuários e concessionárias. Nesta entrevista, Daniel Ribeiro, especialista da Kapsch TrafficCom, detalha os ganhos em transparência, eficiência e experiência do usuário, além das perspectivas para o desenvolvimento do modelo no país.
Por que essa integração é importante para o setor rodoviário?
Porque representa um passo importante na evolução do pedágio eletrônico no Brasil. O Free Flow elimina filas e paradas, mas ainda existe o desafio de acompanhar as tarifas, principalmente para quem não utiliza TAG. Com as informações disponíveis no aplicativo CNH do Brasil, os motoristas podem visualizar passagens, acompanhar pendências e acessar os canais oficiais de pagamento. Isso torna a experiência mais simples, transparente e segura.
Como a Kapsch participa desse processo?
A Kapsch desenvolveu e implementou a solução tecnológica de Free Flow utilizada pela CSG, incluindo equipamentos de pista e sistemas de processamento e gestão das transações. A integração com o ecossistema da CNH do Brasil foi uma evolução natural da arquitetura já conectada a diferentes plataformas nacionais. Nosso papel foi garantir o compartilhamento seguro e confiável das informações, em conformidade com os requisitos da Senatran e a arquitetura operacionalizada pelo Serpro.
Como funciona essa integração na prática?
Quando um veículo passa por um pórtico Free Flow, o sistema realiza sua identificação por TAG RFID ou pela leitura da placa, registra a passagem e processa a transação. Após as validações necessárias, as informações previstas na regulamentação são enviadas à plataforma operacionalizada pelo Serpro e disponibilizadas no aplicativo CNH do Brasil. O usuário visualiza a passagem e sua situação e, quando necessário, é direcionado ao canal oficial da concessionária para efetuar o pagamento.
Quais foram os principais desafios tecnológicos?
O maior desafio foi garantir a interoperabilidade entre diferentes ambientes digitais mantendo elevados padrões de segurança, disponibilidade e qualidade dos dados. Como os sistemas de pedágio processam grandes volumes de informações, foi necessário um trabalho rigoroso de homologação, validação e testes para assegurar a consistência dos dados e uma boa experiência para os usuários.
Quais são os benefícios para os motoristas?
O principal benefício é a conveniência. O motorista passa a ter mais visibilidade sobre suas passagens e reduz o risco de não identificar tarifas pendentes. Também ganha acesso, em um único ambiente digital, às informações de diferentes concessões integradas, simplificando a experiência de quem utiliza várias rodovias.
Essa integração pode ajudar a reduzir a inadimplência?
A expectativa é positiva. Quanto mais simples for acompanhar passagens e identificar tarifas pendentes, maior será a possibilidade de regularização dentro do prazo. O aplicativo CNH do Brasil oferece um ponto centralizado de consulta e comunicação que beneficia tanto os usuários quanto a sustentabilidade operacional do modelo Free Flow. O impacto efetivo dessa funcionalidade será acompanhado ao longo do tempo.
Quais são os principais aprendizados dessa experiência?
Uma das maiores lições é que a tecnologia sozinha não resolve todos os desafios. É necessário combinar inovação, regulamentação adequada, comunicação clara com o usuário, processos bem definidos e integração entre os diferentes participantes do ecossistema. A colaboração entre concessionárias, empresas de tecnologia, Senatran, Serpro e demais instituições é essencial para ampliar a interoperabilidade e acelerar a transformação digital da mobilidade.
O que esse momento revela sobre a maturidade do Free Flow no Brasil?
Mostra que o Free Flow está avançando além da substituição das praças de pedágio. O setor caminha para um ecossistema digital mais conectado, em que concessionárias, órgãos públicos e empresas de tecnologia integram seus sistemas para oferecer informações mais acessíveis aos usuários. O foco passa a ser toda a jornada digital do motorista, incluindo consulta, pagamento e atendimento.
Como você avalia a trajetória da CSG como pioneira no Free Flow?
A CSG teve papel fundamental na modernização do setor ao se tornar a primeira concessão rodoviária do país a operar integralmente com Free Flow. Mais do que uma decisão tecnológica, foi uma demonstração de confiança no modelo. Estruturar toda a operação sem praças convencionais exigiu visão estratégica, inovação e disposição para enfrentar os desafios de um novo formato operacional. Para a Kapsch, vem sendo uma experiência muito enriquecedora participar dessa jornada.
Qual é o próximo passo para a evolução do Free Flow?
Estamos apenas no início dessa transformação. O futuro aponta para uma experiência cada vez mais integrada, digital e automatizada, apoiada por maior padronização e interoperabilidade entre sistemas. Devemos ver formas mais inteligentes de comunicação com os usuários, integração com novos serviços de mobilidade e avanços nos meios de cobrança e pagamento digital. A integração com o aplicativo CNH do Brasil é um exemplo de como o Free Flow pode evoluir para se tornar parte de um ecossistema nacional de mobilidade conectada.



